<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843</id><updated>2011-11-15T08:23:26.462-08:00</updated><category term='vida'/><category term='passado'/><category term='rotina'/><category term='humanidade'/><category term='futuro'/><title type='text'>despeço - me</title><subtitle type='html'>Foto por: Tiago dos Santos - http://olhares.aeiou.pt/durante_a_noite_a_sempre_algo_que_nos_ilumina_foto3808780.html</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>49</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-485106161018349910</id><published>2010-10-27T09:49:00.000-07:00</published><updated>2010-10-27T10:08:57.031-07:00</updated><title type='text'>Terra Solta</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;Existe terra solta debaixo dos meus pés, e debaixo da terra solta já  não existe mais nada. Um monte de terra acumula-se à minha frente, é  terra solta que tapa o calor da alma, de uma alma que já não pertence à  terra que a cobre. E em tudo o que vejo encontro pequenos montes de  terra solta, não consigo fugir-lhe. Fugir-lhe era pedir muito, e eu  tenho tão pouco tempo para pedir seja o que for.  Enquanto os observo  caem gotas de dor vindas do céu pálido e triste, é Inverno, é Inverno  dentro de mim, dentro de nós. Será sempre Inverno?&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;Quero saber o  que escondes de mim, terra solta! Confessa-te e eu deixo que vás para  sempre, diz-me só aquilo que procuro incessantemente, sem encontrar.  Estou aqui, será que me vês? Ainda pergunto coisas sem sentido, coisas  que ninguém mais pergunta, porque mais ninguém corre atrás de vazios,  não há ninguém que mergulhe em poços secos só para sentir a profundidade  do poço. Eu mergulho, mergulho sempre. E sinto a profundidade do poço,  não me assusta. É tão pequena comparada com a profundidade do ser que já  não sou. Estou no fundo do poço e mesmo aqui vejo terra solta, sinto o  cheiro da terra solta. Ainda existem as marcas de água no poço vazio,  como ainda existem as tuas marcas nos lugares onde já não estás, onde  nunca mais vais estar e onde eu vou continuar a ver-te.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;Corre!  Corre! Chamam o teu nome e sabes que tens de correr. Não te deixes ficar  para trás, não te guardes para ti, não guardes dentro de ti o tamanho  todo do Inverno, não vais conseguir, não há quem consiga. Anda. Não  tenhas medo. Sei que sentes ainda. Sei que vês ainda coisas que os vivos  não conseguem ver, tu vês e não vives mais, porém viverás sempre nos  espaços, nos gestos, nos sorrisos, no teu sorriso que nenhuma terra  solta é capaz de apagar.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;Ouves? Tenho de te perguntar! Ouves? Sei  que sim, quando mais ninguém me ouvir, tu vais ouvir sempre. Como eu  hei-de ouvir-te sempre, mesmo quando não falas, quando o teu silêncio  magoa mais do que os gritos e o choro que calas-te dentro de ti até ao  fim. Fim. Fim. Costumo dizer que o fim não existe, sim o fim não existe.  Quando pensas ter chegado ao fim, já sem espelho, sem músicas tristes,  sem ensaios de inutilidade, o fim esmorece, ganha tamanho, e continuas,  com espelhos e reflexos, com os tons tristes dessas melodias, com a  inutilidade de todas as coisas inúteis. Imagina um círculo, agora  imagina-te a caminhar sobre a linha que o delimita, isso é o fim, o fim é  essa linha sobre a qual caminhas, caminhaste sempre. Hoje ainda  caminhas, e hoje à semelhança do que acontecia antes, também ninguém te  vê com os pés sobre a linha, com os pés sobre a terra solta.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;Falta  pouco, podia faltar tanto. Não conheço o caminho da distância até aí.  Mas nesse caminho de luz ausente, que se faz daqui até aí, foste  deixando ecos do sorriso mentiroso que disse verdade a tanta gente.  Sinto. Oiço. Vejo. Silêncio, mais silêncio. Existe um mundo inteiro para  abraçar, não existem braços suficientes: os braços estão caídos sobre o  corpo, os braços estão amarrados com tempo, os braços estão gelados e  esquecidos dentro de baús de solidão. Abraça-me, abraço-te. Os meus  braços estão soltos, também estavam os teus. Eram os nossos braços  soltos, e agora apenas os meus. Vê-me aqui, quem sou eu? Quem eras tu?  Perguntas sem resposta, respostas que não o sabem ser, e que por isso  não deviam existir. E eu, que também não sei ser, continuo a existir.  Tu, não soubeste ser, ainda assim existes em tudo o que foste. Páro.  Olho. Ainda, ainda.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;Deixa-te estar, aí nesse pedacinho de lugar.  Que eu estou aqui sem lugar onde ficar. Amanhã é um dia diferente. As  crises pairam por aí, rio-me delas, elas riem-se de mim. Rimo-nos uma  para a outra. Ri-te também! Sabemos bem que existe terra solta  suficiente para as duas e por isso não nos importamos, nem eu, nem a  crise. Ela pode vir habitar-me e enquanto isso terá de me aturar,  aturamo-nos. Conheço-a. Trato-a por “tu”. Digo-lhe, hoje não, hoje está  tudo tão maravilhoso aqui. E fica a terra solta que ainda não é um monte  de terra solta a tapar o calor da alma, de uma alma que já não pertence  à terra que a cobre. Fica a terra solta a ver o Inverno passar pelo  meio de nós, dentro de nós. &lt;em&gt;Caminho, caminhaste sobre a linha,  algures encontrarei, encontraste terra solta que cobrirá, cobriu com  calor o Inverno dentro de mim, dentro de ti.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt; ﻿&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="10" height="10"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/VFLF-gh4C2M?fs=1amp;hl=pt_BR&amp;autoplay=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/VFLF-gh4C2M?fs=1amp;hl=pt_BR&amp;autoplay=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="10" height="10"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-485106161018349910?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/485106161018349910/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=485106161018349910' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/485106161018349910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/485106161018349910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/10/terra-solta.html' title='Terra Solta'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-8377222381016292199</id><published>2010-08-27T04:37:00.000-07:00</published><updated>2010-08-27T04:41:10.494-07:00</updated><title type='text'>Dez minutos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Hoje vi-te. Estavas ali mesmo à minha frente. Dentro da minha cabeça uma voz perguntou-me se serias mesmo tu, os meus olhos responderam que sim. Podia ter-te chamado, não chamei. Fiquei só a ver-te como se te visse realmente. As pessoas passeavam-se pela rua, os passos apressavam-se numa viagem que eu desconhecia. Para que queria eu saber daquelas viagens, sempre tão distantes da minha? Mas tu estavas ali e eu podia ter-me apressado a ir ter contigo, não fui. Olhei discretamente, olhei-te para te reconhecer nos gestos que fazias. Durante dez longos minutos fiquei parada a lembrar-me de como eras, e pensei que já não podias ser assim.&lt;br /&gt;Hoje sei que te vi e talvez mais ninguém te tenha visto. Os dez minutos que se seguiram ao momento em que os meus olhos se cruzaram com a tua presença foram tão longos, tão distantes, foram dez minutos que levaram mais de dez minutos a passar. Não me viste, ainda bem. Não queria que me visses ali, depois de tudo o que não fiz por ti, não queria que dissesses que não podia ter feito nada. Na minha cabeça a voz perguntava sempre se serias mesmo tu, os meus olhos responderam sempre que sim. O meu coração não sabia o que responder e por isso mantinha-se ali sossegado, carregado de pessoas que não eram como tu, não eras tu.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Hoje pensei que te tinha visto, e eu nunca te tinha visto antes. Pensei, e se não fosses tu? Nesse momento podia ter-me arrependido de não ter ido ter contigo para te perguntar se eras tu a pessoa que eu via, tão perdida e sozinha como nunca tinhas estado... não me arrependi. Se fosses mesmo tu não queria que me dissesses que eu não podia ter feito nada.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Depois dos dez minutos, agora eternos na minha memória, vi-te ir embora outra vez, e eu nunca te tinha visto ir embora assim.&lt;br /&gt;Quando foste, na outra vez, não te vi partir, quando soube já tinhas ido e eu não pude fazer nada. Desta vez vi-te caminhar sem direcção nenhuma, com passos frágeis e cansados de quem está cansada demais para continuar. E senti o frio, a dor, as lágrimas, a viagem. Quando foste, olhei e não te vi. Uma voz na minha cabeça perguntava se serias mesmo tu, os meus olhos encheram-se de lágrimas e calaram a dúvida, o meu coração escondeu-se para não ter de responder. Então a voz na minha cabeça adormeceu. Voltei as costas e pensei, que se fosses tu, aquela era a primeira vez que te via.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vi-te, depois do tempo todo em que exististe sem que eu te visse, depois do tempo em que deixaste de existir para que eu te pudesse ver. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-8377222381016292199?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/8377222381016292199/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=8377222381016292199' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/8377222381016292199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/8377222381016292199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/08/dez-minutos.html' title='Dez minutos'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-3458392521181232344</id><published>2010-08-04T12:18:00.000-07:00</published><updated>2010-10-27T10:10:20.056-07:00</updated><title type='text'>Rouba-me de Fevereiro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Rouba-me Fevereiro. Rouba-me daqueles dias como se me roubasses de um fim tão certo. Preciso que me afastes das semanas daquele mês, afasta-me! Mas não me perguntes porquê, vou responder-te sempre que não sei, e na verdade eu não sei mesmo. Mesmo que soubesse iria responder-te na mesma que não, que não sei... que não sei que Fevereiro magoa e corta, afoga e sufoca, eu não sei que Fevereiro é tão triste e tão escuro como quando a noite se abatia sobre mim levando-me de novo para o caminho inseguro, vazio, pesado do meu pensamento.&lt;br /&gt;Um dia pensei que Fevereiro era um mês igual aos outros, depois percebi que não. Fevereiro é diferente: cansa, rasga, arde. É tão pequeno e ao mesmo uma imensidão, pode ser uma eternidade. Sabes a língua dos meses? Deixa-me falar com Fevereiro. Tenho de dizer-lhe que o conheço tão bem, que nunca vou conseguir esquecer ou perdoar.&lt;br /&gt;Rouba-me de Fevereiro, e das semanas que se seguem. Deixa-me ficar só contigo, sem tempo, sem as horas que passam como se também elas fugissem de Fevereiro. E se alguém te perguntar porque me roubas-te do segundo mês do ano diz-lhes que não sabes, e na verdade não sabes mesmo, mas se soubesses sei que continuarias a dizer que não, que não sabes que Fevereiro me acordou bruscamente para me contar uma história tão triste, que não sabes que Fevereiro me fez sentir sozinha e perdida, que me fez vaguear sem direcção à procura da resposta que não chega nunca. Fevereiro, os teus dias são solidão, são a ferida aberta que nunca cicatriza.&lt;br /&gt;Se puderes leva-me para longe de Fevereiro, e eu nunca mais vou chorar pela solidão dos seus dias.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="440" height="285"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/hKLJolIZ6Pg&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/hKLJolIZ6Pg&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="440" height="285"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-3458392521181232344?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/3458392521181232344/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=3458392521181232344' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/3458392521181232344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/3458392521181232344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/08/rouba-me-de-fevereiro.html' title='Rouba-me de Fevereiro'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-7770812124855735760</id><published>2010-08-03T14:12:00.000-07:00</published><updated>2010-08-03T14:53:16.897-07:00</updated><title type='text'>Pesadelo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Disseram-me: ele é um pesadelo. E eu na inocência do pesadelo da vida, acreditei! Quando olhava nos olhos do pesadelo havia uma chama de raiva  nos seus olhos que eu via arder por detrás do silêncio da língua dele. Fechava os olhos para não ver a chama e assim já não sentia a raiva do pesadelo que me cobria o corpo.&lt;br /&gt;Um dia disseram-me: ele é um pesadelo. E eu, na inocência do pesadelo do mundo, acreditei. Quando olhava nos olhos do pesadelo via coisas que não se podiam ver, coisas que não sorriam para mim, e eu sorria para elas. Sorria para não sentir o frio do sorriso fechado dessas coisas a cobrir-me o corpo.&lt;br /&gt;Um dia disseram-me: ele é um pesadelo. E eu, na inocência perdida do pesadelo que era o pesadelo dele, não acreditei. Olhei-o nos olhos e vi verdades de ódio e morte, verdades de luz e cores que eu não conhecia, vi as verdades que se escondiam debaixo das cicatrizes que não eram as minhas. E as coisas que o habitavam, aquelas que não sorriam, continuaram sem sorrir mas eu sorri. O meu sorriso agarrou as verdades e as coisas, trancou tudo dentro de mim...&lt;br /&gt;Um dia disseram-lhe: ela é um pesadelo. Ele, na minha inocência perdida, na inocência de quem já foi pesadelo, não acreditou. Agarrou-me pelas mãos ensanguentadas, beijou-me os lábios mortos pelo veneno e levou-me para onde os pesadelos não importam. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-7770812124855735760?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/7770812124855735760/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=7770812124855735760' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/7770812124855735760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/7770812124855735760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/08/pesadelo.html' title='Pesadelo'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-7287976518052511900</id><published>2010-08-02T11:45:00.000-07:00</published><updated>2010-08-04T13:20:05.598-07:00</updated><title type='text'>Deixou o resto à tua guarda</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Diz-me o que ficou por dizer, a tristeza que refugiaste de silêncio e o mundo inteiro que calaste dentro do teu pequeno espelho. Mostra-me o que escondeste no teu grande, enorme peito, tudo aquilo que fechaste nas mãos suadas de medo.&lt;br /&gt;Deixa-me entrar para lá da porta que trancaste, a porta trancada da vida que esqueceste do outro lado, no meio do Oceano. Não tenhas medo! O lago espera por ti, quer acalmar a corrente forte que te puxa, que te prende o ar. Escreve o lago em inglês, porque em inglês é tudo sempre mais igual. Sorri! E guarda-me lá um espaço, um espacinho nas luzes que levaste e não quiseste dizer... Não te censuro, uma luz é algo tão precioso, e se eu fosse a ti teria feito o mesmo, se ao menos eu fosse como tu. Mas não sou, e serei cada vez menos, porque o tempo passa e distancia-me do momento onde ficaste, e eu vou continuando até que um momento fique comigo. Às vezes queria ser, queria saber de ti, do coração que bate, do coração que parou tão perto. Do lugar onde estou se tivesses gritado eu podia ter-te ouvido, e se ouvisse... nada me garante que terias ficado.&lt;br /&gt;No meio do oceano, é tão grande o Oceano. Vejo-te e estás longe de ti, longe do lugar. Se eu soubesse onde moras podia ter-te levado a casa, mas eu não sabia, ainda não sei, e hoje é tarde para bateres à porta, embora ainda haja quem espere ver-te chegar mesmo sabendo que não chegas nunca.&lt;br /&gt;Chegaste: a nave central é a casa, na igreja onde moras, se eu soubesse que lá estavas talvez tivesse ido, ou não.&lt;br /&gt;Sempre Com Tanto Tempo. Dá-me tempo, pára o meu tempo. Dá-te mais tempo, podias ter-me dado tempo para parar o tempo daquele momento. Olha-me aqui a procurar restos de ti no infinito da tua identidade, eu não sei nada e o que sei não me chega. Tudo o que ficou por dizer na conclusão inacabada arde no lugar onde a porta permanece fechada, como se ainda estivesses lá dentro. A torneira que deixa a água pingar lentamente, é como a chuva que cai lá fora e que tu não ouves porque tudo o que querias ouvir está no meio do oceano onde hoje navegas à deriva. Levaste contigo tanto tempo, mas foi tão pouco o tempo que levaste comparado como que deixaste, levaste o mês e os dias daquele mês e embrulhada neles levaste a chave da porta que fechou na eternidade o teu sorriso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt; &lt;object width="280" height="185"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/PAmlkD6H1Xc&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/PAmlkD6H1Xc&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="280" height="185"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/center&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-7287976518052511900?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/7287976518052511900/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=7287976518052511900' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/7287976518052511900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/7287976518052511900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/08/deixou-o-resto-tua-guarda.html' title='Deixou o resto à tua guarda'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-4668293932849478837</id><published>2010-07-03T13:31:00.000-07:00</published><updated>2010-07-15T15:29:51.223-07:00</updated><title type='text'>Estou viva. deixa-me pensar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Procuro as palavras. As palavras certas. As palavras que conseguem dar voz aos meus pensamentos calados. Agarro no dicionário da minha memória, nas gavetas vazias da minha mente, tenho de encontrar o que procuro. No meio daquela confusão imensa: ideias, visões, pensamentos breves e superficiais que se encaixam num único pensamento profundo e eterno; vazios, um poço seco que anseia por um água que nunca teve, uma dor que carrega em si tantas outras, espaços amplos onde cabe tanta gente sem que lá se encontre alguém. Vejo o muro, a corrente, a ponte. Em cada lugar procuro as palavras. Em cada momento procuro as palavras certas. Perdi-as, é isso que penso. Mas o que penso é um mundo, e um mundo é tanta coisa que não se pode calar, ou guardar em pensamentos mudos, pensamentos que se fecham por dentro sem nunca entender a falta que fazem cá fora. Tatuei-me de dor. Penso, e pensar não me chega para encontrar as palavras certas. Olho-me por dentro, tantas palavras, a tinta de uma caneta avança sobre o sangue nas minhas veias, desejo ou vontade. Penso, e o que penso fecha-se em mim. Os pensamentos são correntes que se arrastam pelas minhas cordas vocais, fico muda. Preciso de encontrar as palavras certas. Avanço, não quero ser vista, sinto-me transparente. Não me vejas, não me magoes, não encontres os meus pensamentos... frágeis e melancólicos pensamentos! Por favor, deixa-me esconder, deixa-me ficar abraçada aos meus medos enquanto procuro as palavras que nunca serão a minha voz. Estou aqui, entre quatro paredes brancas, uma pequena luz ilumina as paredes, existe tinta na caneta que a minha mão guarda. Os meus olhos procuram nas paredes as palavras que não encontram, e esses palavras ausentes fazem-me tanta falta.&lt;br /&gt; Na ausência das palavras sinto com intensidade dupla, sinto calada porque assim sinto mais. Queria escrever as palavras certas, mas faltam-me essas palavras; falta-me, por vezes, o verdadeiro significado do “certo”. Tenho uma missão impossível, encontrar o que desconheço, algo que nem sei por onde anda. Vejo o muro, a corrente, a ponte. E vejo as palavras que se transportam de uns para os outros, de uns para o nada. Penso e escrevo, descrevo o que penso sem pensar nas palavras, porque os pensamentos traduzidos pelas palavras certas não podem ser os meus pensamentos.   &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Pensa, existo; sou porque vivo, e vivo  porque penso. Estou viva,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; deixa-me pensar&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-4668293932849478837?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/4668293932849478837/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=4668293932849478837' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/4668293932849478837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/4668293932849478837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/07/esto-viva-deixa-me-pensar.html' title='Estou viva. deixa-me pensar'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-503613740909579696</id><published>2010-05-23T20:08:00.000-07:00</published><updated>2010-05-23T20:14:30.691-07:00</updated><title type='text'>Mutilação</title><content type='html'>Chega muda e transparente. Ninguém adivinha que se aproxima de forma inevitável. É um monstro que como um vento forte arrasa tudo á sua passagem. Arrefece os corpos e rouba as almas, deixa ficar o vazio e o peso da ausência. Ignora o choro, as palavras, os pedidos em desespero. Sempre insensível e surda. Arranca da terra as raízes da vida, atrás destas vão partes de outras raízes, mutiladas para sempre. Na memória que fica quando parte, depois de ter parado o sangue num corpo qualquer, há-de  ouvir-se sempre o eco do choro, o sabor amargo da derrota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rasto que fica é negro, desfocado e quase assassino. Tudo o que sobra é memória, e a memória é tão pouco. A saudade de uma presença que já não se sente, que nunca mais se sente, e uma vontade de dizer palavras que terão de permanecer caladas para sempre só porque já não existe quem tinha de as ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;...Mutilada para sempre pela tua ausência.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-503613740909579696?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/503613740909579696/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=503613740909579696' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/503613740909579696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/503613740909579696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/05/mutilacao.html' title='Mutilação'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-3729173222024783295</id><published>2010-05-22T17:53:00.000-07:00</published><updated>2010-05-22T18:15:17.123-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Imagem que se reflecte no espelho, uma voz que fala lá de dentro para o interior da minha mente. Grita comigo a voz bruta e gelada. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Fecho os olhos, toco o espelho, toco a voz. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Os meus dedos congelam, a voz é gelada, seca.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Imagem que se reflecte no espelho, cabelos negros e pesados caem sobre um rosto pálido e triste.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Olha-me nos olhos o reflexo no espelho. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Lágrimas de sangue, choro as lágrimas de sangue que se afastaram do reflexo e encontram em mim a fonte. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Aproximo-me do espelho, sinto que já não sou eu: que sou os gritos, o frio, a loucura acorrentada ao rosto pálido e ao nome que não sei decifrar. Pequenas gotas caem do chuveiro criando um cântico irreal e frágil, música que conforta a dor causada pela lâmina afiada da faca. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Mão fechada, a força toda guardada na mão, lágrimas de sangue mancham o chão e a mão continua fechada pela força. Raiva. Uma linha que se traça no escuro, é a direcção que a força na mão deve seguir. Dois segundos. Um barulho, um grito. Sangue que escorre pela mão para se juntar ás manchas que as lágrimas deixaram no chão. Frio. O espelho partido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Sentada no chão sem que exista mais o espelho nem o reflexo, olho para a porta e vejo: cabelos negros e pesados que caem sobre um rosto pálido e triste. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-3729173222024783295?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/3729173222024783295/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=3729173222024783295' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/3729173222024783295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/3729173222024783295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/05/imagem-que-se-reflecte-no-espelho-uma.html' title=''/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-7018434882178514059</id><published>2010-05-19T17:58:00.000-07:00</published><updated>2010-07-03T15:37:00.250-07:00</updated><title type='text'>Dissociative</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Perdi-me. Agarrei-me a um momento breve e triste e perdi-me. Fugi de mim para outro “eu” e esqueci-me de como voltar- A minha casa estava tão fria e ausente, tão escura, parecia estar de luto por mim. Os sentimentos sem nome, sem identidade pesavam-me no corpo e arruinavam-me o futuro e eu queria fugir deles. Apeteciam-me as lágrimas para me lavar o corpo dos sentimentos que me perseguiam mas já não sabia como chorar. Calei-me. Guardei a vontade de chorar, vontade que não sabia como passar disso mesmo. Abracei-me como se te abraçasse e despedi-me de mim. Sabia que não ia voltar porque estava perdida. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Estou perdida e não sei como voltar mas insisto em não me despedir como se soubesse.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/_LcI1V05JX0&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/_LcI1V05JX0&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-7018434882178514059?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/7018434882178514059/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=7018434882178514059' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/7018434882178514059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/7018434882178514059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/05/dissociative.html' title='Dissociative'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-6377374682207616628</id><published>2010-04-19T15:20:00.000-07:00</published><updated>2010-04-19T15:22:29.198-07:00</updated><title type='text'>Mais uma Rosa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;As lágrimas deslizam pelo rosto dela. A sua pele pálida fica roxa de raiva e tristeza. Os sentimentos empurram-se e confrontam-se dentro dela enquanto tudo desabafa à sua volta. Existe um sentimento que ela não sabe como controlar, um sentimento que tem sabor à ferrugem que pinta o portão do casarão velho, sabor à cinza que é libertada durante a erupção de um vulcão. Ela sai de casa, fecha a porta com força, lá dentro a moldura que estava em cima da mesa caiu, o vidro partiu-se sobre a fotografia que a moldura protegia, o vento pegou na fotografia e fê-la rodopiar até à lareira. As chamas da fogueira consumiram as cores da fotografia. Ficaram só o vidro e a moldura, espalhados pelo chão. Ela estava também espalhada pelo chão, dentro de si algo queimava, e o que a queimava roubava-lhe as cores, como as chamas haviam roubado as cores que delimitavam os corpos na fotografia. Correu pelas ruas pintadas de preto e branco, empurrou pessoas que não a sentiram, as suas lágrimas tocaram as mãos de pessoas e elas não sentiram, como poderiam sentir? Ninguém viu como os sentimentos a matavam lentamente como um veneno que se apodera do sangue num corpo até que todo o sangue seja veneno.&lt;br /&gt;Ela corria e pensava que ninguém ia perceber a dimensão da dor dentro dela e por mais que lhe dissessem que tudo ficaria bem ela sabia que isso não ia acontecer; ela corria e chorava enquanto pensava que o tempo não ia curar as feridas abertas, as feridas abertas no corpo, por dentro do corpo; ela corria e morria e só pensava que podia perdoar tanta coisa se soubesse como se perdoar por ter confiado. Os passos iam-se tornando mais largos, ela corria cada vez mais devagar, os pensamentos eram cada vez mais escuros e pareciam pesar-lhe no corpo. Ela já não podia com os sentimentos que lhe pesavam no corpo. Parou. A força ausentou-se dela e caiu de joelhos no chão de terra. Olhou para todos os lados e não existia ninguém. A solidão habitava aquele espaço como a habitava a ela. Por dentro ela sentia-se terra e lama, chuva gelada, vento forte e cinza. No espaço dentro dela tudo se assemelhava ao espaço fora dela. Não existia nada lá fora, e já não existia mais nada lá dentro. Viu o seu reflexo numa poça de água e quis ser ela o reflexo, ela sentia-se o reflexo desvanecido e frágil de tudo o que poderia ter sido. Ela olhava o céu e pensava que ainda podia ser capaz de lhe perdoar se soubesse como se perdoar.&lt;br /&gt;A força regressou a ela. Ergueu o corpo lentamente e sorriu. Voltou as costas ao lugar da solidão e começou a correr. O peso dos sentimentos fugiu-lhe. Ela corria depressa, corria por um caminho escuro, um caminho que era cada vez mais escuro e estreito. E sorria. Ela corria e sorria e pensava que se soubesse como se perdoar ainda o poderia perdoar. Mas ela sabia que nunca se perdoaria por ter acredito e por isso jamais seria capaz de lhe dar o seu perdão. O caminho estreito, o escuro, ela a correr. Abriu a porta, entrou em casa, pisou a moldura e o vidro partido da moldura. Subiu as escadas em direcção ao quarto. Entrou no quarto com pressa de ver o que ele escondia. A cama desfeita, as roupas espalhadas pelo chão. O corpo dele espalhado pelo chão. A lembrança: ela deitada ao lado do corpo dele, do corpo dele espalhado pelo chão; ela abraçada ao corpo dele, as lágrimas dela a tocar-lhe a pele morta e o sangue. Ela estava de pé, mãos coladas na barriga que crescia invisível, e lembrava-se. O cheiro a sangue aumentava, ele não podia ver as mãos dela coladas na barriga que crescia invisível. Ela saiu do quarto, fechou a porta, desceu as escadas apressadamente, pegou na chave do carro e partiu.&lt;br /&gt;Mamã onde está o pai? e uma voz que responde: está longe, mas ele manda-te esta rosa, meu amor. E a verdade vai-se escondendo por detrás de cada rosa até formar um roseiral. Mãe, nunca percebi porque são negras as rosas que o pai manda. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-6377374682207616628?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/6377374682207616628/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=6377374682207616628' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/6377374682207616628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/6377374682207616628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/04/mais-uma-rosa.html' title='Mais uma Rosa'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-2670789376166737945</id><published>2010-04-18T19:11:00.000-07:00</published><updated>2010-05-24T14:49:33.147-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;object width="300" height="200"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/fYasgMhSM9k&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/fYasgMhSM9k&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="300" height="200"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Sabes de mim? Um dia perdi-me num nevoeiro que passava pela porta de minha casa, nunca mais me encontrei. O meu corpo no meio do nevoeiro foi levado pelos meus pés que caminhavam sozinhos. Não sei para onde me levaram os pés, para onde me levou o nevoeiro. Agarrei-me às mãos de um desconhecido que passava, um desconhecido que me olhava e que me via sem saber que o que via já não era eu. Não podia ser eu, não era eu aquela que os pés guiavam numa direcção sem direcção nenhuma, não era eu aquela que o nevoeiro envolvia e arrastava sem pedir permissão, não era eu que as mãos daquele desconhecido agarravam e puxavam tentando fazer-me regressar para onde nunca estive. Mas o desconhecido e as mãos do desconhecido não tiveram força para me roubar daquela mancha espessa de névoa, a força dele não lhe bastou, e eu já tinha dado toda a força que algum dia exitira em mim. Gastei a força que nunca tive a fazer de mim degraus de uma escada para os ajudar a subir. A escada que eu fui foi-se desfastando com o tempo, foram subindo sem que vissem que me fragilizava, ninguém reparou que na escada de mim havia noite e frio, haviam passos ásperos e pesados que enegreciam o meu espírito. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;No caminho que os meus pés construíram vi tanta dor, dores que estavam fora de mim e que eu puxei e aprisionei no meu pequeno mundo, varri dos caminhos as dores que voavam perdidas, empurradas pelo vento. Poluíam a vida e eu não podia deixar. Guardei todo o lixo que eram aquelas dores, guardei todo o lixo e o lixo preencheu-me de nada. As mãos dele podiam proteger-me, mas só se ele soubesse e sentisse e visse como eu. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Cheguei a um sítio qualquer, cheguei a um sítio qualquer onde estava ainda mais perdida de mim do que de ti. Era tudo tão branco, caíam penas de anjo do céu, penas de anjos e de corvos misturavam-se e matavam-se em quedas rápidas. Quantas me tocaram a pele antes de se matarem mesmo à frente do meus olhos. Agarrei as penas todas, todas as penas que consegui agarrar e guardei-as no cofre do meu destino. Guardei as penas que salvei da morte predestinada. Deitei-me no chão frio e senti o frio do chão mistirar-se com o meu corpo frio e ausente. Fechei os olhos com força e tentei ver se conseguia descobrir-me no escuro que se abria por detrás dos meus olhos fechados. Uma mão tocava-me o cabelo, uma mão tocava-me o rosto, uma mão tocava-me os lábios. Uma mão de luz abraçou-me a escuridão. Abri os olhos e não vi a mão, não vi de quem era a mão. Olhei o céu coberto de tristes sinas, tristes almas habitavam aquele céu. Senti-me flutuar, os meus pés deixaram de tocar o chão. Os ramos secos das árvores mortas levantavam-me do chão e colocavam-me mais perto das almas tristes que deambulavam ao longe, almas tristes acompanhadas por cânticos negros. Vi-me no meio daqueles tristes espectros despedaçados, sem destino, sem salvação. Restava tão pouco de vida no meu sangue, restava tão pouco de sangue no meu corpo ferido e pálido. Agarrei as penas de anjos, penas de corvos, juntei-as e formei inúmeras asas, distribuí-as pelas almas deambulantes, depois fiz dos restos frágeis de mim uma escada: escada quebrada e que abanava ao mínimo toque de vento. Disse-lhes: Dou-vos asas para voar, uma escada que vos entrega um caminho de paz e luz, peço-vos as vossas dores, as lágrimas, os sentimentos ameaçadores e a loucura do vosso inferno. Agora vão! Estão livres do espaço pequeno que vos aprisionava, estam livres para fazer bem ao Mundo que vos fez mal, estão curadas das feridas que o Mundo vos infligiu. Agarrem as pessoas do Mundo e deêm-lhes as vossas asas: as pessoas do Mundo precisam dessas asas para descobrirem que são capazes de voar. Quando todas as pessoas do Mundo tiverem umas asas o mundo estará entregue às mãos de anjos e vocês ter-se-ão esquecido que um dia existiu uma palavra no dicionário que significava: "Sofrimento físico ou moral; aflição; mágoa.", não existirá mais dor no Mundo. Por último apaguem o céu que conhecem e criem um novo céu, porque no céu de agora existirei eu a carregar o que, outrora, foram as grandes dores dos Homens.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-2670789376166737945?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/2670789376166737945/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=2670789376166737945' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/2670789376166737945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/2670789376166737945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/04/sabes-de-mim-um-dia-perdi-me-num.html' title=''/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-7718256884028529191</id><published>2010-04-02T18:00:00.000-07:00</published><updated>2010-04-02T18:11:06.380-07:00</updated><title type='text'>Sombra</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Afastei-me da sombra que me acompanhava. Ela perseguiu-me, seguia lado a lado comigo. Eu e a sombra. As pessoas olhavam e acenavam, diziam "bom dia" e "boa tarde", eu acenava-lhes e a sombra também. Tentei ignorar a sombra, deixá-la ficar para trás enquanto ela dormia sobre o tapete de névoa do meu quarto. Quando pensava ter escapado, olhava para o lado, a sombra. O ombro da sombra colado no meu ombro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu ia a chorar, a sombra ia como sempre: sombra. As pessoas viam-me e ao passar sorriam e diziam "bom dia" e "boa tarde". Porquê? Porque é que ninguém me pergunta se preciso de ajuda, o que se passa comigo, porque fogem de mim gotas de orvalho, porque me afogo no sangue da minha alma? Corri para casa. A sombra correu ao meu lado, sempre com os passos coordenados com os meus, numa coordenação tão perfeita que chegava a irritar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cheguei a casa, fui à casa de banho, acendi a luz que dava cor de fogo à casa de banho mas que mantinha a sombra sempre sombra. Queria lavar a cara, arrancar-lhe as lágrimas. Abri a torneira, as minhas mãos encheram-se da água da torneira e tocaram-me o rosto. Ocorreu-me olhar o espelho, ver se se notava que tinha estado a chorar. Olhei. E nesse instante eu vi a sombra mas não me vi a mim.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-7718256884028529191?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/7718256884028529191/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=7718256884028529191' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/7718256884028529191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/7718256884028529191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/04/sombra.html' title='Sombra'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-82835980361692381</id><published>2010-04-02T17:54:00.000-07:00</published><updated>2010-04-18T19:55:12.043-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Procuro uma predominância de luz num lugar qualquer&lt;br /&gt;preciso de encontrar aquele ponto que é o centro do meu universo.&lt;br /&gt;E sempre que te procuro, meu fiel servidor, algo deixa de me pertencer…&lt;br /&gt;em lençóis de tempo eu desmorono, ressuscito e tropeço.&lt;br /&gt;Caminhando sobre uma aresta de névoa solta e fria&lt;br /&gt;recuo até ao dia da nossa triste derrota,&lt;br /&gt;ver-te longe e condenado à noite sombria;&lt;br /&gt;perdido entre o sonho intenso e o clamar da gente morta.&lt;br /&gt;Deixando de intervir no teu caminho sem retorno&lt;br /&gt;deixo-me ficar com a minha eterna solidão,&lt;br /&gt;abrigada nas asas de um corvo sem dono.&lt;br /&gt;Perco-me assim, triste fim o meu, que é feito da salvação?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-82835980361692381?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/82835980361692381/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=82835980361692381' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/82835980361692381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/82835980361692381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/04/procuro-uma-predominancia-de-luz-num.html' title=''/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-2254490656609580409</id><published>2010-04-01T12:41:00.000-07:00</published><updated>2010-04-01T13:54:35.665-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Tempo.&lt;br /&gt;Quero mais tempo. Precisava de mais tempo, queria ter o tempo que não tenho para voltar atrás. Queria rebobinar a minha vida até ao momento em que, pela primeira vez, fiz alguém sofrer, porque foi a partir desse momento que percebi que dói mais saber que magoei do que quando me magoam.&lt;br /&gt;Dou passos lentos por aquelas ruas estreitas da minha Vila, daquilo que um dia foi uma coisa totalmente diferente. As ruas são as mesmas, as pedras das calçadas são aquelas que já pisara antes, antes do tempo de hoje. As paredes que me olham ainda estão de pé. O rio. O mar. Está tudo no mesmo lugar, tudo pertence ao mesmo espaço, nada se alterou.&lt;br /&gt;Fui eu que mudei. Fui eu quem alterou o significado das coisas, o tempo deu-me tempo para isso. Não sei se era isso que queria, às vezes ainda desejava sentir tudo como sentia antes; outras vezes não, outras vezes olho para tudo e penso que o facto de sentir algo diferente quando os meus olhos vêem as mesmas coisas que viram durante anos, há alguns anos, indica que dentro de mim, no espaço em mim onde tudo estava desconcertado e confuso, onde a obsessão e o sangue se entrelaçavam pelo meu corpo e onde o veneno me consumia lentamente com o objectivo de me fazer sentir bem o sabor amargo da minha morte, houve uma mudança. Levaram-me a uma oficina onde concertaram o que estava desconcertado, puseram no sítio certo cada peça de mim. Fui, parcialmente, reconstruída.&lt;br /&gt;O tempo.&lt;br /&gt;O tempo que já passou depois do momento em que, pela primeira vez, fiz alguém sofrer por mim, já ficou por lá, longe demais para que eu consiga, ainda, agarrá-lo. Quero sofrer pelos momentos em que no tempo deste tempo perdido, fiz alguém sofrer. Quero a dor dos outros nas gavetas da minha dor. Todas as dores a preencherem um vazio que fica cada vez mais vazio.&lt;br /&gt;Vejo os sorrisos: falsos, hipócritas, invejosos, destrutivos, ameaçadores. Vejo as lágrimas: límpidas, puras, sangue da alma que nasce nos pulsos. Prefiro as lágrimas aos sorrisos, excepto se for o sorriso de uma criança. Amontoem sobre mim os sorrisos das crianças, a vida dentro das crianças que é ainda a verdadeira vida, seres humanos, sensibilidade e verdade.&lt;br /&gt;Quando voltar a passar pelas ruas estreitas, pelas pedras da calçada, pelas paredes que ainda estão de pé eu vou ser duas, ou três, ou quatro, ou sei lá quantas vou ser! Vou ser uma para cada momento, vou agarrar cada momento que caminha até mim com a forma de uma folha branca manchada de uma tinta preta, porque alguém, ao levantar-se da mesa derrubou o frasco de tinta preta sobre a folha e nunca mais voltou para limpar a tinta que pingava o chão e que escurecia o chão. E para agarrar cada momento tenho de ser muitas, tenho de ser muitas para colocar em cada uma de mim um momento diferente: alegrias separadas de tristezas, amor separado de ódio, gritos separados do silêncio, lâminas separadas dos pulsos, as palavras cruéis separadas do abraço que ainda sinto por ter perdido.&lt;br /&gt;Não vou ser muitas. Não vou ser duas, ou três, ou quatro, ou sei lá quantas! Vou ser uma só, uma só a ser amarrada aos momentos, a ser agredida pelos momentos, a ser amada pelos momentos, a ser a que grita e chora e que tenta lavar o sangue das feridas abertas, a que abraça e é abraçada como se não houvesse mais nada e mais ninguém, vou ser só uma, vou ser só eu.&lt;br /&gt;Sentada sobre o último momento de que me recordo, olho-me por dentro: sensibilidade, tristeza, vazio, loucura, amor, vozes, querer, querer muito, cuidar, proteger, dar-me sem querer receber nada em troca, nada. Olho-me por fora: cicatrizes. Existe uma lágrima a fugir de mim, a minha alma sangra, sinto-me tão longe e não sei onde estou, sinto falta, uma falta que não tem origem, não sei o que me falta. Oiço o riso, gargalhadas, pés que correm. Vejo, é uma criança que corre sozinha no meio de flores de todas as cores, uma criança que ri e que dá gargalhadas só porque as borboletas e os pássaros fazem voos magníficos sobre ela, deita-se no meio das flores e conta as nuvens, e ri das figuras que encontra nas nuvens, bate palmas e pula de alegria porque o gatinho perdido encontrou a mãe.&lt;br /&gt;A criança vê-me, aproxima-se, toca-me, oferece-me uma flor e sorri. Eu pergunto: como te chamas meu amor, ela hesita, mas acaba por responder, chamo-me Joana e tu?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-2254490656609580409?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/2254490656609580409/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=2254490656609580409' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/2254490656609580409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/2254490656609580409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/04/tempo.html' title=''/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-1994526847680000816</id><published>2010-03-28T09:56:00.000-07:00</published><updated>2010-03-28T10:11:43.111-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/S6-NYxM1CpI/AAAAAAAAAGc/cvLI5_MhGfA/s1600/solid%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 270px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5453733130432481938" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/S6-NYxM1CpI/AAAAAAAAAGc/cvLI5_MhGfA/s320/solid%C3%A3o.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Se soubesse que ia ser assim tinha-te deixado do outro lado do mundo. Ter-te-ia empurrado para fora das correntes da minha carência antes de conseguires sequer tocar a fragilidade da minha pele.&lt;br /&gt;Mas eu não sabia!&lt;br /&gt;Abri-te a porta: é uma porta tão leve, tão transparente. Não é difícil transpô-la.&lt;br /&gt;Tocaste-me a pele e eu sorri. Olhaste-me os olhos e eu vi as cores do mundo. Abraçaste-me e eu suspirei. Fechei os olhos com força: queria ter a força para fazer aquele momento durar para sempre. E se não o pudesse fazer durar para sempre no tempo do Mundo, queria faze-lo durar no nosso tempo, na nossa (talvez unicamente minha), ainda pequena, construção.&lt;br /&gt;Mas eu não sabia! Não sabia que ias queimar a minha pele com o teu toque, que ias encurralar-me nos teus olhos e sufocar-me nos teus braços. Eu não sabia que ias fazer tudo isso e que depois ias fazer do meu tempo um tempo diferente do teu: dois tempos que não tinham como se cruzar. Se eu soubesse...&lt;br /&gt;Tentei de todas as formas impedir-te de ir, de partir de mim: agarrei-te sem que sentisses, chorei-te sem que visses mesmo quando chorava diante de ti, gritei por ti mesmo sabendo que não me ouvias, atirei-me para o chão coberto de nada e rastejei enquanto chorava lágrimas de sangue, lágrimas de sangue que nasciam nos meus pulsos.&lt;br /&gt;Nunca me prometeste nada. Nunca me disseste "Para sempre!". Nunca me disseste "Vou desfazer o nosso tempo e transformá-lo em dois: tu segues no teu e eu no meu. Em direcções opostas."&lt;br /&gt;Eu não sabia! Eu não queria saber! Mas se soubesse...&lt;br /&gt;Se eu soubesse ter-te-ia aberto a porta transparente e leve que dá acesso ao lado desprotegido do meu ser despedaçado, ter-te-ia deixado tocar-me a pele mesmo sabendo que o teu toque era de fogo, ter-me-ia encurralado nos teus olhos, e ter-te-ia deixado sufocar-me nos teus braços. Porque mesmo sabendo de toda essa desgraça se iria abater sobre mim, eu só queria ter-te! Porquê? Porque nenhuma dor é maior do que a dor de estar ausente de mim na presença da própria solidão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-1994526847680000816?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/1994526847680000816/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=1994526847680000816' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/1994526847680000816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/1994526847680000816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/03/se-soubesse-que-ia-ser-assim-tinha-te.html' title=''/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/S6-NYxM1CpI/AAAAAAAAAGc/cvLI5_MhGfA/s72-c/solid%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-8267199754340870412</id><published>2010-03-25T08:18:00.000-07:00</published><updated>2010-04-02T17:54:35.664-07:00</updated><title type='text'>Carpe Noctem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Não queria despedaçar-me, fragmentar-me. Enquanto vos olhava de cima para baixo pensava que podia voar sobre todos vocês, as penas das minhas asas cairiam sobre os ombros de alguém que soubesse fazer com elas um monte de vida que me permitisse sobreviver à queda.&lt;br /&gt;Cair. A queda foi a primeira coisa que senti quando me dei conta de mim. Comecei por cair devagar, as penas fugiam-me das asas fortes e grandes, das asas protectoras. Depois o processo tornou-se rápido: quanto mais me aproximava do vosso lugar menos protectoras se tornavam as minhas asas. As penas já não caíam por si, eram-me arrancadas à força pelo vento que soprava ecos de miséria, fragilidade, abandono, culpa. Despareceram-me as asas. As penas ficaram sujas da lama que os vossos pés carregavam, que a vossa alma emanava. Desfizeram-se, afogaram-se, ausentaram-se.&lt;br /&gt;Sem asas, sem penas nas asas que já não tinha: perdi tudo aquilo que fazia de mim o que era (por fora). Aqui dentro: no peito, no fundo do peito, no corpo, nos ossos e na carne que protege os ossos, no sangue, nas veias por onde corre o sangue, no coração que o bombeia, na pele fria que toca energias e que as absorve, alma. Alma, minha triste alma!&lt;br /&gt;Não queria despedaçar-me, fragmentar-me. Olhei-os de cima para baixo e lembrei-me: "Não posso mais olhá-los de cima para baixo! A minha cidade já não é uma cidade de anjos, já não existe espaço para os anjos nas cidades. Os que restaram foram consumidos pelas batas brancas, amarrados pelos pulsos em camas de ferro branco e frio. Não posso olhá-los sem que eles me vejam cair." Chorei. As minhas lágrimas quebraram-se no vazio aflito daqueles olhos: "Joana, tu não tens asas! Joana, tu não sabes voar!"&lt;br /&gt;Era noite. Fazia frio. Chovia. Gritavam: "Não tens asas!"&lt;br /&gt;E eu aqui dentro gritava em silêncio: "Se eu ainda tivesse asas abraçava o Mundo para deixá-lo abraçar-me."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Puxaram-me. Então percebi: Ainda existem anjos nas cidades, anjos de asas invisíveis. E senti, senti a invisibilidade das asas deles tocarem o sítio onde antes existiam as minhas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Senti a queda. Estou viva.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;object width="380" height="285"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/i5JU5NpdBW4&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/i5JU5NpdBW4&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="380" height="285"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/center&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-8267199754340870412?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/8267199754340870412/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=8267199754340870412' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/8267199754340870412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/8267199754340870412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/03/carpe-noctem.html' title='Carpe Noctem'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-8809328378167614129</id><published>2010-03-23T10:26:00.001-07:00</published><updated>2010-03-23T10:28:55.782-07:00</updated><title type='text'>P.S.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/S6j6T49QYBI/AAAAAAAAAGE/BGw5NZ1Sff4/s1600-h/Wait_and_bleed_2_by_kiduxx.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/S6j6T49QYBI/AAAAAAAAAGE/BGw5NZ1Sff4/s200/Wait_and_bleed_2_by_kiduxx.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5451882568545755154" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;No mais profundo da minha demência existe mais Razão do que no auge da tua sanidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-8809328378167614129?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/8809328378167614129/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=8809328378167614129' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/8809328378167614129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/8809328378167614129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/03/ps.html' title='P.S.'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/S6j6T49QYBI/AAAAAAAAAGE/BGw5NZ1Sff4/s72-c/Wait_and_bleed_2_by_kiduxx.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-4088158159351306996</id><published>2010-03-20T19:31:00.000-07:00</published><updated>2010-03-25T10:19:12.512-07:00</updated><title type='text'>Hide inside</title><content type='html'>&lt;object width="340" height="220"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/8MyE90TTXY4&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/8MyE90TTXY4&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="340" height="220"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;People are talking something about a girl&lt;br /&gt;Just one more girl&lt;br /&gt;A girl that have killed herself&lt;br /&gt;She's far away from home&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh I know what it feels &lt;br /&gt;when you just can't still keep on breathing&lt;br /&gt;when you feel so unreal&lt;br /&gt;when you wake up and think that you’re still dreaming&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;There's no tears in her eyes&lt;br /&gt;There's no blood running into the night&lt;br /&gt;And I just have one wish:&lt;br /&gt;Oh girl, tell me why?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I still hear people talking,&lt;br /&gt;And I just can't hear them anymore!&lt;br /&gt;Cause they couldn’t see that she feels like a whore,&lt;br /&gt;Just because she doesn't cry and she doesn't scream&lt;br /&gt;      Remember that that's not enough for me to want to still be here&lt;br /&gt;  "Oh my love, I wanna let you know&lt;br /&gt;There I'm going just because you went&lt;br /&gt;You left me here, alone and cold&lt;br /&gt;I feel nothing in this fucking world"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;"No darlings, you won't see my blood&lt;br /&gt;I'm dying, hanging myself&lt;br /&gt;Don't try to understand my causes&lt;br /&gt;Because I know that you'll never think about me in hell!&lt;br /&gt;   "I die alone in the bathroom&lt;br /&gt;When everybody's home, in my home&lt;br /&gt;A boy has found me. Oh! "She's not breathing." ( I'm not breathing)&lt;br /&gt;A boy has found me. Oh! "She never used to cry or scream"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;You'll never know what real pain is&lt;br /&gt;Coming around the world, like a shadow on the grave&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I've dreamed so much &lt;br /&gt;I’ve loved you so much, like you’ve never deserved&lt;br /&gt;You said "nevermind" and I went home&lt;br /&gt;And in that moment I felt like I've been walking alone&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;All your lies are suffocating me&lt;br /&gt;All your fucking lies are killing me&lt;br /&gt;It feels like your hands are in my throat&lt;br /&gt;And for a moment I feel like you never gone&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I wrote this letter, it's about a girl&lt;br /&gt;And it doesn't matter&lt;br /&gt;If I never met her at all&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I’ve just heard people talking about a suicide&lt;br /&gt;And I remembered: “I want to die!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;She slowly opened the last door&lt;br /&gt;She slowly closed the last door&lt;br /&gt;She's not crying ... just on the inside&lt;br /&gt;What she felt, she has hidden all these time&lt;br /&gt;All the love’s so far away: no boy, no home, no hope, no escape&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Water’s running, she can't even hear the sound&lt;br /&gt;She looks at the mirror and finds herself alone&lt;br /&gt;Look around and see… what did you find?&lt;br /&gt;Something that put an end in her life&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;An impulsive feeling makes her eyes see&lt;br /&gt;"A way to die quickly and these wouldn’t be so bad"&lt;br /&gt;NO, NO, NO!&lt;br /&gt;I've screamed to you that you haven't got to go&lt;br /&gt;But, oh girl, we never knew&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maybe some times we said "hello"&lt;br /&gt;but I was so blind that I couldn't see your empty soul &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;When you looked at the mirror I know what you've seen:&lt;br /&gt;"No love, no home, no one to hug me; I'm so sick and tired, &lt;br /&gt;I've got to run away and end my life"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"I feel like no one is missing me here. Maybe I'm wrong&lt;br /&gt;People see me laughing and they think that's real.&lt;br /&gt;Oh they're so blind"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh sweet girl they would never mind&lt;br /&gt;that the only thing that's real is the pain inside&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I'm gonna tell you a secret, please don't tell it to anyone:&lt;br /&gt;when I feel like I’m dying inside, when I'm feeling so alone&lt;br /&gt;I pick up a knife or a razorblade&lt;br /&gt;I make the razor crawl deep into my arms&lt;br /&gt;and the blood flows, my blood is running away from me&lt;br /&gt;and in that time I'm feel so free&lt;br /&gt;Oh sweet girl, that's our reality&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I miss you,  I really do&lt;br /&gt;it's so strange…&lt;br /&gt;Oh I feel like I’ve never meet you.&lt;br /&gt;Maybe it's only my sickness talking&lt;br /&gt;but I feel you around when I'm walking!&lt;br /&gt;   No fake smiles, no more lies&lt;br /&gt;he said "nevermind" and my sweet girl said "goodbye"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-4088158159351306996?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/4088158159351306996/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=4088158159351306996' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/4088158159351306996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/4088158159351306996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/03/hide-inside.html' title='Hide inside'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-1269029633073919601</id><published>2010-03-05T16:08:00.000-08:00</published><updated>2010-03-05T16:36:56.740-08:00</updated><title type='text'>Passo a passo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/S5Ghi1uC0aI/AAAAAAAAAFc/BGfh_1MKujs/s1600-h/Preto+e+branco.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 424px; DISPLAY: block; HEIGHT: 261px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5445311044375466402" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/S5Ghi1uC0aI/AAAAAAAAAFc/BGfh_1MKujs/s400/Preto+e+branco.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;Vi tanta coisa ao longo da vida: cores, ruas, caminhos, sinais, flores, o céu, as montanhas, os sorrisos, as lágrimas, sentimentos difusos e espessos; tive momentos de insónia, momentos de insanidade. Percorri caminhos. Caminhos vazios de tudo, cheios da amargura do nada. Quando olho para dentro de mim, é quase nada o que se aproveita. É nesse momento que procuro olhar para trás. E vejo. Finalmente vejo. Vejo as pegadas que fui deixando ao longo do caminho. Afinal, embora distante, fui parte da construção de tudo aquilo que vi, senti e passei. Estive presente em tudo no passado que me assombra o futuro. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;foto by: C.L. \ modelo: Tiago dos Santos&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Com os maiores agradecimentos&lt;/span&gt; &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-1269029633073919601?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/1269029633073919601/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=1269029633073919601' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/1269029633073919601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/1269029633073919601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/03/passo-passo.html' title='Passo a passo'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/S5Ghi1uC0aI/AAAAAAAAAFc/BGfh_1MKujs/s72-c/Preto+e+branco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-5371516064903532806</id><published>2010-02-25T08:22:00.000-08:00</published><updated>2010-08-04T13:23:39.903-07:00</updated><title type='text'>Despeço -  me</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/QWtBzUfdyAw&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/QWtBzUfdyAw&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim despeço-me.&lt;br /&gt;Por agora é o melhor que faço.&lt;br /&gt;Redescobri que sabe bem melhor escrever apenas para mim.&lt;br /&gt;Sou egoísta nas palavras e nos sentimentos, queria tanta coisa.&lt;br /&gt;Já tive tanta coisa que fui perdendo ao longo da vida (hoje faziam-me falta).&lt;br /&gt;Não estou com paciência nem inspiração para textos 'bonitos'.&lt;br /&gt;A morte vagueia por aí, esteve perto de mim nos últimos dias.&lt;br /&gt;Apesar disso as pessoas continuam a sorrir, riem às gargalhadas e eu olho e penso:&lt;br /&gt;'Serei assim tão diferente?'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despeço-me.&lt;br /&gt;Pode ser que volte a escrever aqui um dia.&lt;br /&gt;Continuarei a escrever, acho que é daquelas coisas que tenho a certeza que farei para toda a minha vida. Mas guardarei tudo para mim. Afinal de contas, se alguém entende o que escrevo, essa pessoa sou eu. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-5371516064903532806?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/5371516064903532806/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=5371516064903532806' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/5371516064903532806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/5371516064903532806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/02/despeco-me.html' title='Despeço -  me'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-1698689516038653714</id><published>2010-02-25T08:20:00.000-08:00</published><updated>2010-02-25T08:21:33.924-08:00</updated><title type='text'>Na onda da tua indiferença</title><content type='html'>Abres a porta&lt;br /&gt;    entras e não me vês, hora após hora,&lt;br /&gt;  volto a ser invisível para ti &lt;br /&gt;como sempre fui e sou mesmo depois do fim!&lt;br /&gt;Rastejo e imploro um pouco da tua atenção!&lt;br /&gt;Não me ouves e as minhas palavras soam-te em vão…&lt;br /&gt;Abate-se sobre mim a melancolia de uma alma penada&lt;br /&gt;Vagueando pelo mundo sem pertencer a nada.&lt;br /&gt;Olhando-te nos olhos quero fazer-te sentir a minha presença&lt;br /&gt;Este esforço que não fazes mata-me como uma doença&lt;br /&gt;Que quebra as fronteiras entre o Reino dos Vivos e o dos Mortos!&lt;br /&gt;Se tu não te vais importar com o meu triste pesadelo então será que eu me importo?&lt;br /&gt;Acendo as velas em tua volta, quero sentir-te mais perto&lt;br /&gt;E logo vens tu apagá-las com o teu sopro traidor, e eu desperto!&lt;br /&gt;Sentindo a corda no pescoço e o mundo cada vez mais sombrio&lt;br /&gt;Sinto que me afundo nessa penumbra onde as memórias ficaram prisioneiras do frio!&lt;br /&gt;Hoje, queres comunicar comigo.&lt;br /&gt;E eu estou longe demais para falar contigo!&lt;br /&gt;Cansei-me de esperar essa tua doce e tão prometida chegada&lt;br /&gt;Percebi que esperar-te não me adiantaria de nada!&lt;br /&gt;Voltei as costas aos sonhos e à esperança&lt;br /&gt;Rasguei-te juntamente com o meu coração e atirei-te para a banheira da lembrança.&lt;br /&gt;Sempre estive aqui caminhando do teu lado&lt;br /&gt;Parece que fui quase sempre invisível ao teu sentido apurado&lt;br /&gt;Agora queres comunicar comigo mas eu sou transparente&lt;br /&gt;Tens de esperar. Atravessar a rua e encontrar-me no cemitério em frente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-1698689516038653714?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/1698689516038653714/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=1698689516038653714' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/1698689516038653714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/1698689516038653714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/02/na-onda-da-tua-indiferenca.html' title='Na onda da tua indiferença'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-6557833232143803959</id><published>2010-02-25T08:08:00.000-08:00</published><updated>2010-02-25T08:13:21.763-08:00</updated><title type='text'>Insónia</title><content type='html'>Espessos sentimentos:&lt;br /&gt;difusos&lt;br /&gt;confusos&lt;br /&gt;É insónia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realidade ficcionada&lt;br /&gt;alterada&lt;br /&gt;num plano que não conheço &lt;br /&gt;um sistema ao qual não pertenço&lt;br /&gt;É Insónia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desdobramentos mentais&lt;br /&gt;reparações&lt;br /&gt;prozac a correr pelas veias&lt;br /&gt;correntes que prendem sorrisos como teias&lt;br /&gt;É Insónia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristalização de células mortas.&lt;br /&gt;Amor:&lt;br /&gt;desilusão espontaneamente demonstrada&lt;br /&gt;forças do Além que já não dizem nada&lt;br /&gt;É Insónia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Insónia:&lt;br /&gt;morte cerebral&lt;br /&gt;momento fatal&lt;br /&gt;querer!&lt;br /&gt;morrer!&lt;br /&gt;Dar-te a mão para desaparecer&lt;br /&gt;Era Insónia…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-6557833232143803959?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/6557833232143803959/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=6557833232143803959' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/6557833232143803959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/6557833232143803959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/02/insonia.html' title='Insónia'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-8032727163658143777</id><published>2010-01-18T18:56:00.000-08:00</published><updated>2010-03-05T16:52:11.597-08:00</updated><title type='text'>Returns to me my lost lover</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Se eu conseguisse tocar o passado, nem que fosse apenas com a ponta dos meus dedos, , tocar-te-ia. E se eu conseguisse falar ao passado, ele responder-me-ia com a tua voz. Ainda oiço os teus gritos que me rasgavam a carne, ainda te vejo caminhar na minha direcção, ainda te vejo caminhar numa direcção inversa à minha. Cada passo que deste para longe de mim ficou marcado a sangue no caminho, e nem o facto de teres prometido voltar amenizou o peso que se abateu sobre mim. Esperei-te. Estações vieram e foram. Os teus passos marcados a sangue no caminho não se desvaneceram. Nem um sinal. Nada chegava para adormecer a dor. E doía-me o corpo até à alma. Chegaste uma noite ao mundo para onde me transportava enquanto dormia: vi-te olhar o céu com raiva e desespero e vi-te gritar o meu nome com palavras de pedra manchadas de sangue e lágrimas. E a noite abateu-se sobre mim e sobre todos os nossos lugares, os lugares que já não eram nossos porque, tal como eu, já não te podiam ter. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ficou a recordação vaga, muito vaga e desvanecida da tua presença. Ficou a cicatriz da tua partida gravada no meu peito, o frio do teu corpo privado do meu toque abraçou-me a alma. O sabor do teu sangue na minha boca. E consumi-te com raiva e amor, desejo e aversão: deixaste-me com a ilusão da tua promessa. &lt;em&gt;E o nosso amor só foi eterno sobre a égide da minha memória.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;object width="325" height="244"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/q6fIwjeRfWQ&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;rel=0"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/q6fIwjeRfWQ&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="325" height="244"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/center&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-8032727163658143777?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/8032727163658143777/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=8032727163658143777' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/8032727163658143777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/8032727163658143777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/01/se-eu-conseguisse-tocar-o-passado-nem.html' title='Returns to me my lost lover'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-2503027863899467846</id><published>2010-01-16T10:58:00.000-08:00</published><updated>2010-01-16T11:31:13.196-08:00</updated><title type='text'>O cofre do meu peito aberto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Condundi as palavras e os significados de cada palavra. Por cada sombra, um raio de luz. Escrevi as palavras que me disseste, escrevi cada palavra como se fosse a única. Guardei a folha escrita das tuas palavras no cofre do meu peito aberto, fechei o cofre com o código da sonoridade da tua voz. O cofre ficou fechado, o meu peito manteve-se aberto. No meu peito aberto e escuro ficou o cofre e lá dentro ficou a folha escrita por mim com as palavras que me tinhas dito, que podias ter dito, e eu não queria esquecer. Foram palavras que me disseste enquanto pensava em ti, enquanto te transporatva para perto de mim sem saber sequer onde estavas. Foram palavras que se ouviram no interior do que sou e que fizeram eco no reflexos apagados do que podia ser. As palavras que escrevi mais ninguém podia ter escrito, só eu ouvi as palavras. Só eu senti as palavras. Misturei as palavras e tentei formar uma frase bonita para guardar no cofre. Uma frase bonita que tu me tinhas dito. Uma frase bonita que eu queria que me tivesses dito. As palavras: amo-a, quero, estar, com, ela, se, soubesses, como, ela, é, linda, sinto-me, vivo, perto, dela. E eu a tentar formar a frase bonita que me podias ter dito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Confundi as palavras e os significados de cada palavra. A frase: Amo-te, quero estar contigo. Se soubesses como és linda... Sinto-me vivo perto de ti! E o meu sorriso ao ler a frase, a frase que criei com as palavras que me disseste. Disseste-me tantas vezes que a amavas, e o meu sorriso a transformar-se em raiva, e ódio, e dor, solidão. Rasguei-te as cordas vocais para abrir o cofre e tirei de lá a folha, queimei com a chama do meu sangue cada palavra, cada linha; adormeci sobre as cinzas da folha e sobre os restos das tuas cordas vocais. Adormeci com o cofre aberto, com o peito aberto e mais escuro, mais frio. &lt;em&gt;Adormeci sem palavras ou frases bonitas ditas por ti, e não fui feliz mas fui real. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-2503027863899467846?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/2503027863899467846/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=2503027863899467846' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/2503027863899467846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/2503027863899467846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/01/o-cofre-do-meu-peito-aberto.html' title='O cofre do meu peito aberto'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-1633774566860621996</id><published>2010-01-16T10:16:00.000-08:00</published><updated>2010-01-16T10:34:56.968-08:00</updated><title type='text'>Sou tudo aquilo pelo qual não tens de te importar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Disse a mim mesma que não me ia importar. Que não me podia importar. Importar-me implicava muitas coisas, e eu não tinha vontade dessas coisas todas. Não tinhas de me amar sempre, não tinhas de me amar em cada momento. Por mais que eu precisasse de um amor descontrolado e impaciente: eu desesperava por um amor rebelde e irracional, avassalador. Tu não tinhas de me dar esse amor. Eu pensava, tu não tens de me dar esse amor e eu não me vou importar quando não me amares. Disse a mim mesma que não me ia importar, porque para todas as coisas que isso implicava, faltava-me a vontade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Não me amaste sempre, não me amaste em cada momento. Não me podia importar. E tu não podias importar-te se eu não me importava. Faltou-te saber que me importei. Importei-me pela falta de um amor descontrolado e impaciente: eu desesperava por um amor rebelde e irracional, avassalador, amor que faltou, amor que nunca esteve.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Num dia em que consigas ver além de ti, um dia em que consigas ver além das mentiras escondidas entre as verdades caladas, vais importar-me. Vais procurar-me e eu vou dizer-te, não te importes. Tocas-me a mão e eu digo, não te importes. Tocas-me as lágrimas e eu digo, não te importes. Tocas-me as cicatrizes e eu digo, não te importes. Tocas-me o sangue que pinta o chão e eu digo, não te importes. Eu só digo, não te importes, e tu só dizes, importar-me implica muitas coisas e eu não tenho vontade dessas coisas.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-1633774566860621996?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/1633774566860621996/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=1633774566860621996' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/1633774566860621996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/1633774566860621996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/01/sou-tudo-aquilo-pelo-qual-nao-tens-de.html' title='Sou tudo aquilo pelo qual não tens de te importar'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-5683581974881652340</id><published>2010-01-16T07:44:00.000-08:00</published><updated>2010-01-16T08:37:16.615-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/S1Hpqo2uc-I/AAAAAAAAAEs/iqhTWFP_fjA/s1600-h/maos.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 204px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5427375944688890850" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/S1Hpqo2uc-I/AAAAAAAAAEs/iqhTWFP_fjA/s320/maos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O meu bisavô morreu. Eu nunca chamei bisavô ao meu bisavô, chamava-lhe pelo nome. E ele chamava-me muitos nomes diferentes porque os anos turvaram-lhe a memória do meu nome. Quando conheci o meu bisavô ele já era muito velho e rabugento, mais tarde percebi que ele sempre tinha sido rabugento, e também sempre tinha sido velho. Lembro-me sempre de ver o meu bisavô sentado numa cadeira à porta de casa, e lembro-me de ele não gostar que os meus gatos lhe entrassem em casa. A névoa tinha ocupado os olhos do meu bisavô muito antes do dia em que morreu: todos os dias de sol, em que o céu era azul e sem nuvens o meu bisavô dizia, não se vê nada com este nevoeiro, e mais tarde o meu bisavô passou a dizer que todos os dias fazia nevoeiro e que o tempo já não era como antes. O tempo já não era o tempo dele. O meu bisavô chamava a minha avó todas as manhãs e zangava-se quando ela demorava. Às vezes penso que o meu bisavô nunca pensou em mim. Não me lembro da felicidade do meu bisavô, não me lembro do amor dentro do meu bisavô. Quando me lembro dele só o vejo sentado na cadeira à porta de casa, e a zangar-se com os gatos e com a minha avó. E lembro-me que os dias do meu bisavô eram sempre cheios de nevoeiro.&lt;br /&gt;O meu bisavô morreu e eu não chorei. O meu bisavô morreu e eu não fui ao funeral. Foi muita gente ao funeral do meu bisavô, gente que não era prima, neta, filha ou irmã do meu bisavô. Mas eu não fui. Não chorei quando o meu bisavô morreu. Às vezes penso que devia ter chorado pelo meu bisavô mas depois também penso que o meu bisavô nunca pensou em mim. O meu bisavô nem sabia o meu nome, e quando me chamava, chamava-me muitos nomes diferentes e nunca acertava no meu.&lt;br /&gt;Quando passo pela casa onde morava o meu bisavô e onde ele era mau e rabugento ainda o vejo lá, ele está sentado numa cadeira à porta de casa, e os olhos dele estão muito longe, perdidos no tempo que a vida já lhe roubou. Mas a verdade é que ele não pode lá estar, porque a casa do meu bisavô agora está cheia de coisas inúteis: caixas, caixotes, caixas mais pequenas com coisas avariadas, caixas médias com relógios partidos, malas de viagem que estão aprisionadas na casa do meu bisavô.&lt;br /&gt;O meu bisavô adormeceu uma noite, e nessa noite adormeceu para sempre. De manhã ele não gritou, Maria, que é o nome da minha avó, ele nunca mais gritou, Maria. O meu bisavô, pouco antes de morrer, dizia muitas coisas sem sentido, e eu ria-me.&lt;br /&gt;Eu podia ter chorado pelo meu bisavô, podia ter ido ao funeral do meu bisavô, podia ter-me importado mais com a morte do meu bisavô. Afinal ele era meu bisavô e eu nunca lhe chamava bisavô, chamava-lhe, Tio Domingos. Domingos era o nome do meu bisavô, e tio era o que toda a gente lhe chamava.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O meu bisavô morreu há dois anos e eu não chorei, mas ainda me rio das coisas sem sentido que o meu bisavô dizia.&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-5683581974881652340?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/5683581974881652340/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=5683581974881652340' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/5683581974881652340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/5683581974881652340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/01/o-meu-bisavo-morreu.html' title=''/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/S1Hpqo2uc-I/AAAAAAAAAEs/iqhTWFP_fjA/s72-c/maos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-1629626232197104256</id><published>2010-01-15T18:10:00.000-08:00</published><updated>2010-01-18T19:49:56.116-08:00</updated><title type='text'>Tempo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;São pedaços de tempo que se rasgam diante de mim. Fragmentos de um tempo que ficou parado no relógio daquela sala vazia. Mesmo quando penso que o meu tempo me foge, ou que se atrasa, engano-me: o meu tempo ficou parado. Tudo o que vivo; vivo tudo sem tempo. Vivo no tempo da gente alheia. Caminho no meio da gente que desconheço e roubo-lhes o tempo que não têm para mim. Em silêncio sussurro: dá corda ao relógio do meu tempo. E enquanto o sussurro não se espalha através de um eco mudo fico aqui sentada só para não vos roubar mais tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="225" height="144"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/8rXpRq0OG7k&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/8rXpRq0OG7k&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="225" height="144"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/center&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-1629626232197104256?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/1629626232197104256/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=1629626232197104256' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/1629626232197104256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/1629626232197104256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/01/tempo.html' title='Tempo'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-8880819031747951793</id><published>2010-01-15T12:52:00.000-08:00</published><updated>2010-01-15T13:03:15.340-08:00</updated><title type='text'>Florbela Espanca</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/S1DXVwOn2pI/AAAAAAAAAEQ/at6MsqVkBsc/s1600-h/solitude.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 287px; FLOAT: left; HEIGHT: 392px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5427074319704906386" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/S1DXVwOn2pI/AAAAAAAAAEQ/at6MsqVkBsc/s400/solitude.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Florbela Espanca&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-8880819031747951793?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/8880819031747951793/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=8880819031747951793' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/8880819031747951793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/8880819031747951793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/01/florbela-espanca.html' title='Florbela Espanca'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/S1DXVwOn2pI/AAAAAAAAAEQ/at6MsqVkBsc/s72-c/solitude.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-7770532707014099069</id><published>2010-01-14T08:33:00.000-08:00</published><updated>2010-01-14T12:05:23.785-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Respirei fundo na tentativa desesperada de me desprender de mim. Pedaços de mim rodopiavam em torno do meu corpo numa queda fatal contra o tempo que não havia. Contra um tempo que já não havia. Respirei fundo elevando o meu olhar pálido e cego contra os céus. Lembro-me bem de ter respirado fundo e lembro-me do céu, da cor do céu, quase tão pálido e cego como os meus olhos que o subornavam em preces caladas.&lt;br /&gt;Caída sobre as escadas frias e pesadas daquele sítio que não conhecia vi-te. Eu vi-te dentro de mim, numa construção de perfeição que não conhecia. Construí-te. Cada gesto teu, cada traço meigo e rude, cada acto cruel e inocente. Criei-te sobre a bipolaridade dos meus comportamentos. Transformei-te: quando trocava palavras sem significado com as estrelas, ou nas vezes em que os meus pés descalços pisaram as arestas de fogo da chama apagada, transformei-te. A ilusão de ter dentro de mim, criado em perfeição, numa perfeição que era a minha medida, fazia-me sentir completa. Vi-te crescer, crescer em vida e em realidade, sem nunca teres saído de dentro de mim; vi-te percorrer distâncias e conhecer coisas, vi-te escolher vozes e palavras, vi-te alterar significados e verdades, nunca precisaste de sair de dentro de mim.&lt;br /&gt;Viste-me chorar e abraçaste-me de dentro para fora. Nas vezes em que gritei tu abafaste os sons dolorosos das minhas cordas vocais, e seguraste-me quando caí desamparada depois de ter engolido compulsivamente as cores e as letras e os componentes e as indicações dos comprimidos. Não me disseste, pára, e não me disseste, chega. Nunca me disseste, estou farto, ou vou-me embora. Nunca gritaste, desaparece, ou esquece que existo. &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Sempre á mesma hora e no mesmo tom de verdade disseste, amor, ou amor.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;As noites que passava sozinha só na tua companhia sabiam-me a ti, e a lua, e a pétalas de rosa, e a mel. Sabiam-me às coisas boas que tu me sabias.&lt;br /&gt;E depois veio a manhã em que acordei e te vi fora de mim. Eras tu a atravessar a minha boca, os meus olhos, cada poro da minha pele, eras tu que tinhas atravessado o teu corpo por cada raiz do meu cabelo. E estavas agora fora de mim. Olhei-te com olhos assustados e falei-te com lábios de pânico, como? porquê? As janelas abanavam, a porta abria e fechava, os raios caiam em cima de mim e iluminavam-me, via-se um buraco dentro de mim, um vazio que cheirava a solidão, onde antes havias tu agora havia a tua falta. Olhei á minha volta: paredes pintadas de sujidade, lama pegajosa que escorria e queimava o chão de madeira. O fogo alastrava-se na casa. Formou um círculo. Dentro do círculo: eu sem ti, a cama e tu. E perguntei outra vez: como? porquê? &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Sabia que estava na hora, era a mesma hora e o mesmo tom de verdade, e tu não dizias amor, ou amor.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; Apertaste-me o braço como se quisesses que os teus dedos se espetassem nele até perfurar o osso, empurraste-me para o chão. A cama ardeu. No círculo: eu sem ti, e tu. As minhas lágrimas soltaram-se apressadas por morrer aos teus pés, e a minha voz muda procurava palavras para te dizer. Então olhaste-me com desprezo e aversão, perguntaste-me como tinha sido capaz e eu, sem perceber, perguntei do que falavas, disseste que te tinha escondido tantas verdades e que não me podias perdoar, eu perguntei-te que verdades, e tu respondeste, eu amava-te porque vivia dentro de ti, eras única porque estava dentro de ti, dizia-te amor, ou amor porque estava dentro de ti, amei-te tanto enquanto estive dentro de ti, mas tu, tu falsa e egoísta, tu fraca e impiedosa, tu nunca me disseste que podia estar dentro de qualquer mulher. Voltou costas. Abriu a porta e foi embora. Debaixo de mim abriu-se um abismo, vi-me cair aos poucos, e depois de repente. O abismo fechou-se.&lt;br /&gt;E ele nunca percebeu que me levou, levou-me dentro dele porque ele era o único que eu amava ao ponto de lá querer estar para sempre.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-7770532707014099069?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/7770532707014099069/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=7770532707014099069' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/7770532707014099069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/7770532707014099069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/01/respirei-fundo-na-tentativa-desesperada.html' title=''/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-8882780906044461425</id><published>2010-01-05T11:07:00.000-08:00</published><updated>2010-01-15T18:10:13.630-08:00</updated><title type='text'>Se me olhasses por dentro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Se me olhasses por dentro ias encontrar-te lá , a consumir-me de luz e escuridão. A ausência de ti arde-me no corpo como o fogo do passado. De todas as vezes que te encontrei, depois de teres partido não te consegui agarrar e mataste-me como me matas agora, e por isso não preciso de me matar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Conforta-me saber que és tu quem me rouba da vida, tu que me roubaste da morte naquela batalha em que só tu eras &lt;strong&gt;&lt;em&gt;guerreiro&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Ainda te vejo a olhar-me coberta do sangue das tuas feridas que o meu amor por ti não chegou para sarar. Chorei-te. Sei que sabes que te choro ainda, e as lágrimas são em vão. Mas quero continuar a sentir a tua falta até que essa falta deixe de fazer sentido por voltares a desejar que te pertença mesmo que não queiras e não possas estar comigo. É o destino. Pertencer-te é o meu destino. O destino simples que falta cumprir-se. &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed height="244" type="application/x-shockwave-flash" width="325" src="http://www.youtube.com/v/CyHtyBQ-rlE&amp;amp;hl=" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" fs="1"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;/center&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-8882780906044461425?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/8882780906044461425/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=8882780906044461425' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/8882780906044461425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/8882780906044461425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2010/01/se-me-olhasses-por-dentro.html' title='Se me olhasses por dentro'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-6451309304755395024</id><published>2009-12-17T11:00:00.000-08:00</published><updated>2009-12-17T11:04:29.419-08:00</updated><title type='text'>Seremos transparentes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Todos nascemos &lt;em&gt;transparentes&lt;/em&gt;. Puros e inocentes. Nascemos tão translúcidos que o sol consegue penetrar-nos o corpo até á alma, aquece-nos por dentro. E vamos crescendo envolvidos numa transparência que nos expõe ao mundo e o mundo olha-nos com olhos limpos para não nos sujar a brancura da transparência. Mas existe um momento em que caem do céu gotas de lama que aos poucos mancham os corpos outrora nítidos, são manchas de culpa atiradas pelos olhos da maldade (des)humana, pedaços de vidro que como lanças perfuram a inocência. Como veias abertas a inocência escorre para fora da nossa transparência e pelas feridas entra a escuridão e sujidade da lama. O tempo passa, as feridas agora curadas deixaram apenas pequenas cicatrizes, e por dentro dos que antigamente eram transparentes existe apenas um vazio que pesa preenchido pelo nada dos sentimentos imundos. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mas existem resistentes, aqueles que ao serem tocados por gotas de lama correram para abrigos de amor. Como uma capa mágica o amor impediu que as gotas tocassem a pele dos transparentes, as lanças de vidro ficaram suspensas nas capas a alguns centímetros de ferir a inocência. Esses seres ficaram escondidos até que toda a tempestade passasse, e quando o sol voltou para aquecer as almas eles saíram. Ficaram espantados com todo aquele cenário, e já não reconheceram ninguém ali. No meio daquela escuridão que sabia caminhar destacavam-se eles, como pequenas estrelas. Depois de tanto tempo juntos foram obrigados a separar-se. Cada pequeno ser de luz caminhou numa direcção diferente entre a penumbra imunda dos outros seres. E á medida que andavam eram empurrados pelos que estavam sujos e impuros, feridos pelas lâminas da sua frieza. Ao longo do caminho foram descobrindo pequenos abrigos de amor onde, depois de tantos confrontos com aqueles que se esqueceram da felicidade da transparência, podiam refugiar-se para limpar a inocência que os preenchia. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Um dia no meio de uma tempestade de lama desapareceu o amor. Desapareceram os abrigos. Então com lâminas de pureza abriram feridas nos corpos frágeis e deixaram que a transparência lhes escapasse. Só tornando-se sujos poderiam suportar a ignorância dos Homens.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-6451309304755395024?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/6451309304755395024/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=6451309304755395024' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/6451309304755395024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/6451309304755395024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2009/12/seremos-transparentes.html' title='Seremos transparentes'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-2872113756301808400</id><published>2009-12-13T08:25:00.000-08:00</published><updated>2009-12-13T08:32:14.926-08:00</updated><title type='text'>Quero ter o tempo para morrer por ti</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span &gt;Se eu morresse aos poucos, devagar e em câmara lenta talvez tivesses tempo para pensar se querias ou não salvar-me. Se a morte me pegasse ao colo e esperasse os dias que precisas para decidir então eu acho que ela me entregaria nos teus braços. Se o tempo para morrer me desse tempo para te ligar a meio da noite tu ias fazer-me sorrir para a morte e o som do meu riso afasta-la-ia de mim. Mas não sei se o alarme vai tocar a tempo, não sei se o alarme da minha morte vai dar-me tempo de te acordar com os olhos cheios das lágrimas que tu não viste. Talvez não me encontres mais, nunca mais. Ou podes até cruzar-te comigo na rua e sei que não vamos ter tempo para parar o relógio da vida.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span &gt;Hoje pensei que morrer seria mais fácil do que existir apenas entre o peso da consciência e o vazio da saudade. Atirei-me para o chão como se te procurasse e chorei, chorei tanto que deixei de conseguir respirar, e parti a lâmpada do candeeiro que iluminava aquela triste cena. A raiva de mim despedaçou-me. Só desejei saber quanto tempo levava a morrer se me matasse, e sei que se soubesse que tinha tempo de te ver chegar para me salvares a vontade de ir para sempre desapareceria.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span &gt;Mas quem sou eu? Quem sou eu para te arrastar comigo para as profundezas do meu cérebro doente e despistado? Vou deixar-te livre de mim como eu queria ser. Liberta-me de ti para morrer! Não, eu não quero ser vítima de mim mesma, vítima desta dor que não sei de onde vem. Foste porto de abrigo que afastou as ruínas da minha tristeza, e soube-me bem cada momento, soube-me bem cada momento daqueles em que me esqueci do passado. Pela primeira vez em muito tempo vi-me completar-me no reflexo dos teus olhos, e do teu lado senti-me em casa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span &gt;Não sei se vais chegar a tempo de me salvar, de me acordar do sono profundo da minha morte, se a morte me pegar ao colo para me entregar nos teus braços vais sentir-me gelada, perdida na aflição da minha ressaca, porque eu não sei se te vou ligar a meio da noite para te avisar que tá na hora, e mesmo que ligasse tu não ias compreender a dimensão das minhas palavras, porque &lt;em&gt;só se ama uma vez de cada vez&lt;/em&gt; e a minha vez passou mesmo antes de ter chegado.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;És o estranho capaz de me manter viva. Quero ter o tempo para morrer por ti.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-2872113756301808400?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/2872113756301808400/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=2872113756301808400' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/2872113756301808400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/2872113756301808400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2009/12/quero-ter-o-tempo-para-morrer-por-ti.html' title='Quero ter o tempo para morrer por ti'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-4835075903413306695</id><published>2009-11-26T10:56:00.000-08:00</published><updated>2009-11-26T11:28:25.233-08:00</updated><title type='text'>A Nossa Gaveta de Papéis</title><content type='html'>Deixaram uma gaveta aberta. Aquela gaveta aberta e vazia. Deixaram a gaveta aberta e não sei como a fechar. Os papéis que estavam na gaveta estão espalhados pelo meio do chão, piso-os enquanto caminho descalça pela casa e eles ferem-me os pés. E faltam papéis, e faltam palavras e frases nos papéis. E falto eu. Faltas-me tu. Deixaram a gaveta aberta e foram embora; veio o vento e misturou os papéis que estavam organizados dentro da gaveta. Veio o vento e derrubou o copo de água que estava em cima da mesa por cima das letras que cobriam os papéis. A tinta de caneta que escrevia as palavras manchou os papéis. Deixaram de existir frases, passou a existir ausência. Ausência de mim. Ausência de ti. Faltamos nós nos papéis. Quando foram embora e deixaram a gaveta aberta, não tive força nem vontade para fechá-la. Fiquei sentada no chão, encostada a um canto da sala, enquanto o vento entrava pelas janelas partidas da minha casa suja e fria. Assisti ao filme: o vento a empurrar os papéis contra as paredes, a esmagá-los uns contra os outros. O vento a esmagar-me por dentro. Tive medo, e tive frio. Não havia mais ninguém na casa. Era só a gaveta, os papéis, o vento e aquilo que ainda restava de mim. Quis gritar mas a minha voz calou-se dentro de mim. E se gritasse ninguém me ouvia porque faltavas tu. E quis chorar abraçada a alguém que não existia ali. Faltavas tu. Quis levantar-me mas não sabia da força: faltavas tu. Eu era a gaveta que deixaram aberta. E os papéis eram o meu coração fragmentado, a minha alma. As letras e frases falavam das minhas histórias, escreviam o diário da minha vida. Eles eram o vento e não podias ser tu. O vento eram eles que me esmagaram contra as paredes e deixaram sozinha no vazio assustador daquela casa. O sangue no chão era sangue das feridas abertas que ficaram aqui espalhadas por mim, porque eram eles e não podias ter sido tu. A porta da casa abriu-se. Ouvi passos, passos que vinham na minha direcção. Não quis olhar, não quis saber quem era. Não podias ser tu. Apanhou os papéis do chão, um por um. Sentou-se numa cadeira, naquela cadeira onde me sentava a escrever coisas de mim, e ordenou os papéis. Em folhas brancas escreveu novas palavras, novas frases que falavam de mim. No fim colocou todos os papéis dentro da gaveta e fechou-a, trancou a gaveta e enterrou a chave no cemitério do meu sofrimento. E tocou-me, agarrou a minha mão e deu-me a força que me faltava para me levantar. Pegou-me ao colo e levou-me para a cama. Tapou-me com aquela manta cor de céu e deitou-se ao meu lado. Ficou comigo até adormecer, disse que ia ficar tudo bem. E eu soube que eras tu, só podias ter sido tu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-4835075903413306695?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/4835075903413306695/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=4835075903413306695' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/4835075903413306695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/4835075903413306695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2009/11/nossa-gaveta-de-papeis.html' title='A Nossa Gaveta de Papéis'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-4978662616885966536</id><published>2009-11-26T10:07:00.000-08:00</published><updated>2009-11-26T10:56:26.736-08:00</updated><title type='text'>José Luís Peixoto</title><content type='html'>devagar o tempo transforma tudo em tempo.&lt;br /&gt;o ódio transforma-se em tempo, o amor&lt;br /&gt;transforma-se em tempo, a dor transforma-se&lt;br /&gt;em tempo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os assuntos que julgamos mais profundos,&lt;br /&gt;mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,&lt;br /&gt;transformam-se devagar em tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por si só o tempo não é nada.&lt;br /&gt;a idade de nada é nada.&lt;br /&gt;a eternidade não existe.&lt;br /&gt;no entanto a eternidade existe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os instantes dos teus olhos parados em mim eram eternos.&lt;br /&gt;os instantes do teu sorriso eram eternos.&lt;br /&gt;os instantes do teu corpo de luz eram eternos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tu foste eterna até o fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-4978662616885966536?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/4978662616885966536/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=4978662616885966536' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/4978662616885966536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/4978662616885966536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2009/11/jose-luis-peixoto_26.html' title='José Luís Peixoto'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-3869187453330408032</id><published>2009-11-21T15:39:00.001-08:00</published><updated>2009-11-21T15:55:12.035-08:00</updated><title type='text'>Existes em Mim</title><content type='html'>Existo em ti. Nos gestos que fazes, nas palavras caladas que não me dizes. Existo quando me olhas sem me veres, existo quando te vejo e tu não me vês. Tentei encontrar formas de existir à parte de ti, pensei em maneiras de conseguir desprender-me das teias do teu toque. Continuo a existir em ti, e tu não sabes. Tu não queres saber se me empurro contra ti sem que me sintas ou se me esmago entre o que sou e o que queria ser, apenas por ti. &lt;br /&gt;Esforcei-me por calar-te no meio dos gritos surdos e não consegui. Entre as páginas queimadas daquele livro que ando a ler, encontrei-te. Encontrei-te outra vez por me ter perdido. E é tão triste. Quase tão triste como a música da minha vida. Existo em ti: em cada instante que passa sem que eu dê conta, em cada casa abandonada, ou nas ruas desertas onde vagueio sozinha na sombra de mim. &lt;br /&gt;A semana passada existi em ti sem querer sequer existir. Então fui até á rua do  meu quarto e despi-me do refúgio que me abriga. Na solidão dos ecos que ficaram retidos entre os espelhos vi que existi em ti. Inventei uma história triste que pusesse fim ao pesar do luto na minha voz, algo verdadeiramente triste que me impedisse de continuar a existir em ti. &lt;br /&gt;Foi então que recebi a notícia: Ele morreu.&lt;br /&gt;E na ausência da tua figura, na falta que ficou, eu existi. Soube que enquanto eu existisse em ti, a notícia era mentira, e tu eras vivo aqui dentro, no espaço dentro de mim onde tu existias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-3869187453330408032?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/3869187453330408032/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=3869187453330408032' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/3869187453330408032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/3869187453330408032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2009/11/existes-em-mim.html' title='Existes em Mim'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-3027292000963617303</id><published>2009-11-21T07:23:00.001-08:00</published><updated>2009-11-21T07:26:32.745-08:00</updated><title type='text'>José Luís Peixoto</title><content type='html'>Agora, compro as lâminas no supermercado,&lt;br /&gt;vêm embrulhadas em papéis limpos. &lt;br /&gt;Antes, usava uma tesoura qualquer, ou uma faca.&lt;br /&gt;Eu não pertenço. O risco da pele cortada e o sangue &lt;br /&gt;cobrem a voz da minha mãe, cobrem acordar &lt;br /&gt;de manhã e cobrem as cartas que chegam &lt;br /&gt;todos os dias à caixa do correio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não pertenço. Trato das feridas com água oxigenada&lt;br /&gt;e com tintura de iodo. Trato das cicatrizes como&lt;br /&gt;se tratasse de uma planta que cresce. Antes de pousar&lt;br /&gt;o canto da lâmina sobre a pele, já sei onde quero fazer&lt;br /&gt;o próximo corte depois desse. As cicatrizes são linhas&lt;br /&gt;paralelas e imperfeitas que comparo aos fios&lt;br /&gt;de uma pena molhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E posso cruzar-me com o espelho do guarda-fatos,&lt;br /&gt;posso estender-me sobre a cama desfeita, posso &lt;br /&gt;fotografar-me e afixar-me na internet, mas&lt;br /&gt;no fim de cada noite, eu sei sempre que não pertenço &lt;br /&gt;nem à vida, nem à morte.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/_nQzDjv7SbwM/SWNDkziqhSI/AAAAAAAAFaE/1g6suLOT8eM/s400/jose+luis+peixoto.jpg"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-3027292000963617303?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/3027292000963617303/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=3027292000963617303' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/3027292000963617303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/3027292000963617303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2009/11/blog-post.html' title='José Luís Peixoto'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_nQzDjv7SbwM/SWNDkziqhSI/AAAAAAAAFaE/1g6suLOT8eM/s72-c/jose+luis+peixoto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-3849997778974167166</id><published>2009-11-15T11:42:00.000-08:00</published><updated>2009-11-20T12:35:48.440-08:00</updated><title type='text'>Pedaços de Outono</title><content type='html'>Hoje lembrei-me que houve um tempo em que acreditava que valia a pena acreditar. Outono. Foi um tempo em que a casa da minha avó ainda era a minha casa e eu acordava todas as manhãs com o cheiro do café feito naquela cafeteira velhinha, o café da minha avó feito ao calor das brasas da lareira. Era naquele tempo que eu me levantava e ainda o sol vinha lá atrás, raiava por entre os sobreiros e batia na janela do meu quarto. E o nevoeiro vinha baixinho cobrir as cores da terra molhada pelo orvalho. Saia descalça do quarto, atravessava o corredor a correr, entrava na cozinha e já a minha avó tinha sobre a mesa a minha caneca preferida cheia daquele café cheiroso e bom. Com três colheres de açúcar, netinha. E a fatia de pão acabado de sair do forno da avó com a marmelada que eu a ajudava a fazer todos os anos. Pega-me ao colo que quero apanhar aquele ali em cima, aquele que é o mais amarelinho.  &lt;br /&gt;Vestia-me á pressa. Queria lá saber de mim. Preocupava-me que a minha avó fosse embora pelo monte acima buscar a lenha para o lume e se esquecesse de me chamar. Então calçava as minhas botas de borracha verdes e corria porta fora, corria monte acima e o meu cão ladrava-me, e eu dizia-lhe que viesse. Lá íamos os três, eu, o meu cão e a Avó. Lembro-me que parava sempre lá em cima e esperava pela avó porque a avó já estava velhinha e eu tinha de esperar por ela, mas não esperava muito porque a minha avó velhinha não se cansava. Sei que se demorava, vinha pelo caminho apanhando um pauzinho ali, uma pinha acolá e eu pensava, gosto tanto de ti, avó. Eu, ali, pequenina, sentada em cima de um tronco, e o nevoeiro cobria-me até aos joelhos. De repente, imaginava-me a saber voar, tinha umas asas grandes e fininhas que o sol teimoso fazia brilhar, ai como eu voava. E via a avozinha lá em baixo tornar-se cada vez mais pequenina. Mas agora que eu sabia voar ajudava mais a avó, carregava-lhe a lenha toda. Às vezes pegava na avó e voava com ela. Um portal abria-se no céu e eu atravessava para o outro lado. Era tão bonito, e só existíamos nós duas, eu e a avó. Joaninha, vamos filha! E lá voltava eu, sem asas para levar a avó ao outro lado. O caminho de regresso a casa era sempre mais triste. Vinha a pensar que não podia deixar a avó sozinha, alguém com asas podia pegar-lhe e leva-lá lá para aquele lado! E eu ia ficar sozinha sentadinha no tronco de madeira á espera que a avó voltasse porque eu sei que ela não ia á lenha sem mim.&lt;br /&gt;Hoje é Outono e a avó, provavelmente, foi á lenha sozinha. Porque eu estou mais longe do que desejava estar e não posso ir á lenha com ela. Mas sei que ela se sentou naquele tronquinho e que o nevoeiro lhe tocou os joelhos. Avó sei que estiveste sentada no meu tronco e que antes de voltares para casa te esqueceste que eu não estava e disseste: Joaninha, vamos filha! E eu aqui respondi-te: Avó, posso ter umas asas?&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/rUm7ak85uHM&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;autoplay=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="325" height="244"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/center&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-3849997778974167166?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/3849997778974167166/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=3849997778974167166' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/3849997778974167166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/3849997778974167166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2009/11/pedacos-de-outono.html' title='Pedaços de Outono'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-6061535160488795902</id><published>2009-11-14T12:08:00.000-08:00</published><updated>2009-11-14T12:35:39.797-08:00</updated><title type='text'>A Falta Que Fazes</title><content type='html'>As portas ao fundo do corredor fecham-se. Tu estás lá dentro e eu não te vejo. Sinto-te apenas, meio aqui e meio lá. Queria correr até ás portas, ter força para abri-las, não ter medo de ter este medo. Chama o meu nome e diz-me como é que as coisas eram antes de nascer. Conta-me sobre as traquinices que fazia, fala-me dos sorrisos, fala-me da alegria que já não recordo. Abraça-me e protege-me como fazias tão bem. &lt;br /&gt;As portas estão fechadas e tu estás lá dentro, eu não estou contigo, nunca pude estar contigo como queria ter estado. Tudo o que recordo de ti arde aqui dentro como sal nas feridas. Ficou tanto por dizer e tanto que podiamos ter feito juntos... &lt;br /&gt;As portas abriram-se ao fundo do corredor. Tu não vieste. Não vieste nunca mais. Terás ido com aquele anjo que tanto querias perto de ti? Terás ido sozinho, cambaleando porque mal te aguentavas em pé?&lt;br /&gt;Durante dezenas de noites sonhei que as portas se abriam e que tu aparecias, eu corria sem medo pelo corredor e pulava para o teu colo. Foram sonhos. Foram apenas os desejos a fragmentar-se em cada noite, a dissolver-se nas lágrimas que fugiam de mim quando acordava a gritar o teu nome e sabia que não vinhas, e não sabia onde estavas.&lt;br /&gt;Avô, tenho pena de te ter perdido, muita pena que não me tenhas continuado a ver crescer e tenho pena que tenhas partido de mim assim quando mais precisava do teu abraço, do teu carinho. Foste embora e eu estava perdida no escuro, foste sabendo que eu estava perdida no escuro. E tenho pena avô, pena que não me tenhas visto escapar do escuro. &lt;br /&gt;Os anos passaram, passaram quase quatro anos avô, e mesmo assim continuo a chorar pela falta que fazes. Fazes falta no meu aniversário, fazes falta no Natal que para mim já não significa nada porque era o dia do teu aniversário e tu já não estás. &lt;br /&gt;Avô, prometo que um dia te encontro e te puxo para fora da sala que as portas ao fundo do corredor trancavam e prometo avô, que não te deixo sofrer, eu não deixo que doa mais.&lt;br /&gt;Hoje estou triste. Dá-me colo Avô.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-6061535160488795902?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/6061535160488795902/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=6061535160488795902' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/6061535160488795902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/6061535160488795902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2009/11/falta-que-fazes.html' title='A Falta Que Fazes'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-2716948054926287816</id><published>2009-11-13T16:30:00.000-08:00</published><updated>2009-11-13T16:39:25.904-08:00</updated><title type='text'>José Luís Peixoto</title><content type='html'>"Gruas no cais descarregam mercadorias e eu amo-te.&lt;br /&gt;Homens isolados caminham nas avenidas e eu amo-te.&lt;br /&gt;Silêncios eléctricos faíscam dentro das máquinas e eu amo-te.&lt;br /&gt;Destruição contra o caos, destruição contra o caos, e eu amo-te.&lt;br /&gt;Reflexos de corpos desfiguram-se nas montras e eu amo-te.&lt;br /&gt;Envelhecem anos no esquecimento dos armazéns e eu amo-te.&lt;br /&gt;Toda a cidade se destina à noite e eu amo-te."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-2716948054926287816?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/2716948054926287816/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=2716948054926287816' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/2716948054926287816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/2716948054926287816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2009/11/jose-luis-peixoto.html' title='José Luís Peixoto'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-528056676456208857</id><published>2009-11-13T15:28:00.000-08:00</published><updated>2009-11-15T11:47:25.959-08:00</updated><title type='text'>Hinos da Natureza</title><content type='html'>Era Outono. As folhas voavam e envolviam o voo das fadas, rodopiavam em torno dos seus cabelos tocando melodias que embalavam os pequenos. A chuva molhava a terra, matava-lhe a sede, alimentava-lhe a alma. Os gnomos corriam apressados pelos bosques abrigando-se nos troncos de carvalhos. E os elfos, deitados sobre a terra molhada beijavam as mãos da Vida. À volta das fogueiras dançavam-se hinos da Natureza. A paz reivana ali. Caminhava-se de mãos dadas com os Criadores, os corações batiam ritmados pelas estações do ano. Erguiam-se as mãos aos céus agradecendo os dias bons e maus. Tudo era entendido como parte de um ciclo, o fim era mais um princípio, e o Mundo girava de mãos dadas com o Homem. &lt;br /&gt;Queremos voltar a tocar melodias abençoadas pelos Deuses. &lt;br /&gt;Abençoem-me. &lt;br /&gt;Podemos reaprender a erguer as nossas mãos ao vosso Reino agradecendo tudo aquilo que temos. E fazer fogueiras que aqueçam as almas, dançaremos á volta dessas fogueiras enquanto brindamos à Humanidade. As fadas que feriram as asas durante a queda do Antigo Mundo serão curadas por palavras de amor e poderão voltar a preencher de cor os céus cinzentos. &lt;br /&gt;Curem-me as feridas.&lt;br /&gt;A Eternidade precisa que lhe abram de novo os portões divinos do nosso místico paraíso. Ela quer abraçar-nos. Precisamos de deixá-la voltar. Se ela vier tu virás também, eu sei. Voltarás para cumprir a promessa; fazes falta para curar as feridas aqui dentro da minha dor. &lt;br /&gt;Ainda há quem dance e acredite. Ainda somos muitos os que alimentam a terra que a chuva já não quer molhar. E erguemos as mãos ao ciclo do Mundo, aos Criadores. Deuses que se mostram na Natureza: ainda há quem os veja e se ajoelhe. E a Eternidade: ainda te esperamos. E a ti eu ainda espero.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/uKV1qidg5n4&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-528056676456208857?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/528056676456208857/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=528056676456208857' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/528056676456208857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/528056676456208857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2009/11/hinos-da-natureza.html' title='Hinos da Natureza'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-3722852992162621174</id><published>2009-10-28T15:25:00.000-07:00</published><updated>2009-10-28T15:36:02.974-07:00</updated><title type='text'>Duas Horas</title><content type='html'>Agredis-me com beijos envenenados. As tuas mãos macias deixam nódoas negras no meu corpo, e tua voz doce fere os meus ouvidos. Sinto a tua respiração no meu pescoço como uma corda que me estrangula de desejo, deixas-me sem conseguir respirar.&lt;br /&gt;Não vês as lágrimas nos meus olhos? Não consegues sentir o sabor do sangue na minha boca?&lt;br /&gt;Levas-me para a cama e obrigo-me a ser tua mesmo sabendo que nunca és meu quando te dás. Onde foste?&lt;br /&gt;Dispo-te enquanto me despes e toco-te. Injecto-me com o prazer que te dou, que me dás. E no impulso peço-te coisas loucas e porcas: sei que vais satisfazer todos os meus pedidos por duas horas. O nosso amor é para sempre durante duas horas e depois: a porta a fechar-se, o calor a tornar-se gelo e eu, eu a morrer de fora para dentro sem me conseguir mexer ou falar. O brilho nestes olhos meus deixa de ser de prazer, é apenas dor que flui em mim, e os gemidos esqueceram-se do prazer para abraçar o choro incontrolável. Afinal as tuas mãos macias eram tão ásperas e pesadas que deixaram, em cada centímetro do meu corpo, feridas abertas que ardem como as fogueiras da Inquisição. A tua saliva tornou-se ácido que me comeu a pele e corroeu a carne.&lt;br /&gt;Volta atrás! Quero-te outra vez durante mais duas horas, dentro de mim a fazer-me sentir viva. Volta atrás e dá-me o teu amor eterno por duas horas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-3722852992162621174?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/3722852992162621174/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=3722852992162621174' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/3722852992162621174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/3722852992162621174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2009/10/duas-horas.html' title='Duas Horas'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-8568289101208276013</id><published>2009-10-24T17:23:00.000-07:00</published><updated>2009-10-24T17:57:53.077-07:00</updated><title type='text'>Refúgio de Loucos</title><content type='html'>Guardei-me num refúgio para loucos e esperei.&lt;br /&gt;Esperei;&lt;br /&gt;que alguém chegasse lá daquele sítio para me levar dali e não chegou ninguém.&lt;br /&gt;Ninguém;&lt;br /&gt;veio e aos poucos vi-me desvanecer por entre o espaço que nos separava e chorei.&lt;br /&gt;Chorei;&lt;br /&gt;tanto que me esqueci do que ainda era e tornei-me nada.&lt;br /&gt;Nada;&lt;br /&gt;é o que resta daquelas memórias que deixaste tatuadas em mim como cicatrizes.&lt;br /&gt;Cicatrizes;&lt;br /&gt;tenho-as espalhadas pelo meu corpo frágil e desprotegido.&lt;br /&gt;Desprotegido;&lt;br /&gt;continua quebrando-se contra os rochedos da tua ausência.&lt;br /&gt;Ausência;&lt;br /&gt;que me envenena até aos ossos, corroí-me a alma.&lt;br /&gt;Alma;&lt;br /&gt;que é feito de ti? Pareces estar mais distante que esta distância que o separa de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou aqui, num refúgio para loucos. &lt;br /&gt;Queria fugir da loucura do mundo para me reencontrar. Ter tempo para ficar só comigo, ou só com ele. &lt;br /&gt;Estive aqui tanto tempo, suspensa nas teias desta falta que sinto, só agora percebo que para sobreviver à loucura do mundo precisava de ser um pouco mais louca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-8568289101208276013?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/8568289101208276013/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=8568289101208276013' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/8568289101208276013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/8568289101208276013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2009/10/refugio-de-loucos.html' title='Refúgio de Loucos'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-922460000102742975</id><published>2009-10-04T14:00:00.000-07:00</published><updated>2009-10-04T14:01:26.878-07:00</updated><title type='text'>O casulo da Larva</title><content type='html'>É um espírito inconsciente que desce à terra por vontade própria, perde-se na estratégia lamacenta de um olhar. Fixámos o olhar, parados no tempo intermédio de uma vida desprotegida. Na batalha que perdi encontrei-me contigo, vencedor daquela guerra e quis gritar “Vitória!”. Cada batida: um som que me invade até aos ossos e corrói-me a pele, aquece-me o sangue.  Nas veias já só sinto o ritmo rápido e descompassado da tua voz e é como se me sussurrasses ao ouvido gritos de dor que fluem através das mentiras das tuas cordas vocais. Pensaste em mim naquela noite como pensaste nelas nas outras noites, eu sei, nunca imaginei que fosse de outra forma e por isso é quase indiferente que os teus olhos fixem os meus como se chamasses o meu corpo para a tua cama onde me agarras com uma força animal e me pedes coisas que também lhes pedes, cresces dentro de mim e eu vou-me tornando cada vez mais pequena até ao ponto em que me desvaneço entranhando-me na tua pele, entro na tua corrente sanguínea e como um vírus ataco o teu sistema imunitário. Sentes-me como uma larva que te come por dentro, formo um casulo no interior do teu ser e aconchego-me lá, sabes bem que não vou embora. E os ossos, e a pele, e a voz ou o sorriso, até mesmo o meu olhar, tudo aquilo que consumiste retorna a mim, ao sítio de onde nunca devia ter saído. Aos poucos apago-me de ti numa memória de sangue que flutua em nuvens de algodão doce. Há um casulo que cresce dentro de ti e que não se apaga em memórias de sangue, um casulo que te consome a pele até aos ossos e que te rasga as entranhas até te esmagar no silêncio de uma voz que se atreveu a sussurrar-me gritos de amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-922460000102742975?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/922460000102742975/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=922460000102742975' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/922460000102742975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/922460000102742975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2009/10/o-casulo-da-larva.html' title='O casulo da Larva'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-8633491104761127319</id><published>2009-09-29T09:21:00.000-07:00</published><updated>2009-09-29T09:25:26.682-07:00</updated><title type='text'>Anjo de Cal</title><content type='html'>O suspiro na noite atravessa o mármore da capela&lt;br /&gt;E mostra, hoje revela&lt;br /&gt;A morbidez do olhar &lt;br /&gt;Que canta, encanta a luz no altar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respira se ainda consegues sentir&lt;br /&gt;Sente e pensa, memórias contidas sucumbem á queda do angelical&lt;br /&gt;Da tua vida sobre as penas do anjo de cal&lt;br /&gt;E vem, regressa, queres fugir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda há tempo&lt;br /&gt;Pouco mas há&lt;br /&gt;E tu, sejas quem fores&lt;br /&gt;Vais embrenhando teu próprio ser nas aranhas do sofrimento&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-8633491104761127319?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/8633491104761127319/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=8633491104761127319' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/8633491104761127319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/8633491104761127319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2009/09/anjo-de-cal.html' title='Anjo de Cal'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-3105654081211025108</id><published>2009-09-28T12:25:00.000-07:00</published><updated>2009-11-13T16:09:06.652-08:00</updated><title type='text'>Acordei.</title><content type='html'>Acordei? &lt;br /&gt;Sinto-me cega de dor, dor que não consigo explicar. Não consigo ver, não consigo caminhar. Na verdade nem consigo entender se estou já de pé ou deitada. &lt;strong&gt;Sinto apenas que não me consigo sentir para além da dor&lt;/strong&gt;. Vozes, meio gritos meio murmúrios, entoam na minha cabeça e deixam-me enjoada. Fragmentos da minha vida são agora espelhados no meu cérebro em pequenos flashes. Sou criança, a infância que não me lembro de ter tido. De repente, vejo-me sucumbir no mundo negro da depressão, mãos banhadas de sangue, olhos absortos de dor, gritos, vozes, pesadelos que tinha quando não conseguia adormecer. Anti-depressivos, anti-psicóticos, Prozac, dêem-lhe Prozac. Vejo as lâminas, acho que as sinto. Rasgam-me a carne como se fosse papel, e sabe tão bem. Os olhares condenatórios fazem-me sentir uma autêntica aberração. Os cortes aliviam os pensamentos cruéis que se apoderam de mim. Como vou fazê-los entender? Existe uma dor bem dentro de mim, uma dor que ninguém vê, os vossos olhos cegos parecem-me chamas que me queimam lentamente. Condenada à fogueira pela Inquisição da vossa voz. Que tipo de monstro sou eu? Os flashes continuam a passar, quero paré-los. Parem! Vejo o filme de uma vida que nem sei bem se é minha. E num flashe relembro a semana passada, tudo o que aconteceu. Mas não consigo decifrar este código. &lt;br /&gt;Acordei? &lt;br /&gt;O cheiro a sangue aqui é intenso, nauseabundo, quase repugnante. Os meus olhos parecem estar turvados, não consigo perceber onde estou. Sinto-me como um farrapo. Não tenho forças para me mexer. Por mais esforço que faça, o meu cérebro não responde, parece estar desconectado. Num segundo uma luz abre-se na minha direcção, penetra-me os pulsos feridos, como o sangue nas minhas veias sinto a luz no meu peito, arde como as chamas da fogueira do passado, e de repente mais nada...&lt;br /&gt;Acordei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-3105654081211025108?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/3105654081211025108/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=3105654081211025108' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/3105654081211025108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/3105654081211025108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2009/09/acordei.html' title='Acordei.'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-4750237547659064470</id><published>2009-09-26T08:25:00.000-07:00</published><updated>2009-11-15T11:57:19.349-08:00</updated><title type='text'>Post Mortem</title><content type='html'>Em tempos fui outra. Um pedaço de carne enfraquecido com olhos quase mortos, absorvidos pelas chamas apagadas de uma quase vida quase morte. No espelho de reflexos já não me reflectia, pensava eu. Na verdade, apenas não reconhecia o meu próprio reflexo. Tudo o que conseguia enxergar era aquela mancha esborratada que mais me parecia um corpo no seu 20º dia de decomposição, quando o corpo já não é de pele, carne e osso, apenas um amontoado de vermes sedentos da podridão das vestes da minha alma triste . E morria . Olhar já de nada me servia, a capacidade de observação perdera-se lá do outro lado, naquele lado inquieto e frio onde existiam monstros de vozes mudas que gritavam em silêncio coisas pequenas mas imensas que me impediam de ver. &lt;br /&gt;Mordia os lábios até sangrar e com tranquilidade sentia o sangue escorrer pelos cantos da minha boca misturado com a saliva envenenada pelo espírito . O coração sorria encantado pela sonoridade do metal que quebrava a minha pele, rasgava-me a carne e alimentava de sangue o pesar da consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eram todos felizes, na ignorância da minha dor.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/NBUyhToX-WE&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="325" height="244"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-4750237547659064470?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/4750237547659064470/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=4750237547659064470' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/4750237547659064470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/4750237547659064470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2009/09/post-mortem.html' title='Post Mortem'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-3114695509721104004</id><published>2009-09-23T11:35:00.000-07:00</published><updated>2009-09-23T11:45:54.132-07:00</updated><title type='text'>Aconteceu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Aconteceu. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Um dia adormeceste com vontade de não acordar. Acordaste com medo daquilo que te esperava lá fora. Quiseste ficar na cama, de olhos fechados, escondido dos sentimentos que te perseguiam.Não sabes como foi que aconteceu.Não percebeste. Não entendeste. Ninguém viu que o mundo estava a acabar, ele acabava dentro de ti.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Escuro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ficou tudo escuro e vazio.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Dentro de ti o vulcão adormecera. A lava queimou tudo á sua passagem e o que restou foram as cinzas de momentos que nunca hão-de voltar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Aconteceu. Nem reparaste e deixaste-te ir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Eu via-te ali e só tu não te conseguias ver.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-3114695509721104004?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/3114695509721104004/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=3114695509721104004' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/3114695509721104004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/3114695509721104004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2009/09/aconteceu.html' title='Aconteceu'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-113893592957597906</id><published>2009-09-23T03:45:00.000-07:00</published><updated>2009-09-23T04:07:58.841-07:00</updated><title type='text'>Simples desejo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Respirando o inconsciente sangue que ferve no chão. Perdi-me nas palavras que se afastaram do meu ser e eu quis morrer, já não consigo mais.&lt;br /&gt;Vi tantas lágrimas nos olhos dela, tantos sorrisos disfarçaram aquele desespero. Até que um dia não deu para disfarçar mais nada.&lt;br /&gt;Os espinhos da coroa libertaram-lhe o espírito e ele voou. Foi longe demais.&lt;br /&gt;Não houve tempo para dizer adeus, as respostas ficaram por dar a perguntas ainda não formuladas.&lt;br /&gt;Parecia angelical mas eram só sombras do vazio que pairava no esqueleto do nada. A chuva, aqui dentro de casa. O sol, longe deste mundo, longe dos olhos infinitos. O veludo daquele vestido e a resposta que soou em vão. Nada adiantava e ainda não adianta. Era tudo um desejo.&lt;br /&gt;O desejo perdeu-se no repouso frio daquela manhã. A manhã roubou de nós aquele desejo e as memórias ou as sensações que já não são capazes de existir levaram tudo aquilo que ainda havia por criar. Só ficou esta dor sem explicação e estas vozes a segredar palavras que não entendo que não quero entender.&lt;br /&gt;O desejo que era de vida, o desejo que já foi de vitória continua a crescer e hoje é este desejo, o desejo que se quebra no nevoeiro e é de morte e é de desespero, a morte virou um desejo que só eu não quero ter de desejar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-113893592957597906?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/113893592957597906/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=113893592957597906' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/113893592957597906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/113893592957597906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2009/09/simples-desejo.html' title='Simples desejo'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5976335859335637843.post-7836132718189832559</id><published>2009-09-19T09:46:00.000-07:00</published><updated>2009-09-19T09:51:42.518-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='passado'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futuro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rotina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='humanidade'/><title type='text'>Vestígios</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Vestígios, sobras de civilizações, o passado em retalhos, qual puzzle espalhado pelos quatro cantos do mundo que insisto em montar. De onde vem a necessidade de explicação, de onde desencantámos a vontade de conhecer a génese, a essência. Por que não seguir em frente sem olhar para trás, caminhar apenas, um pé à frente do outro, movimento repetitivo, todos os dias, um pé à frente do outro, cabeça levantada e ausência, ausência de questões, falta de necessidade, caminhem na linha recta da rotina.&lt;br /&gt;Um pé à frente do outro, passos contados, medida certa entre um pé e o outro, não olhes para a esquerda, muito menos para a direita, a cabeça erguida e o olhar em frente, o ritmo certo como a batida cardíaca de um coração saudável. Arritmia: um batimento descompassado, é o pé que não se põe à frente do outro, a cabeça que não está erguida, o olhar que se desviou da linha da frente. São questões, necessidades, respostas; a origem? A génese?&lt;br /&gt;Todas as ruas, entradas, saídas, becos. Todos os sítios, moradas, lares. Tudo aquilo por onde passas, tudo aquilo por que passas já foi algo que não é mais, será um dia coisas que nem afiguras. Significados alteram-se, ciclos iniciam-se depois de se terem encerrado, tudo culmina e tudo renasce. Um pé à frente do outro, olhos postos na linha concreta da rotina. Tudo se passa ao teu lado, tudo te passa ao lado.&lt;br /&gt;Vives. Dizem que vives. Na verdade tudo o que fazes é limitar-te a respirar. Viver requer muito mais essência. Exige muito mais dor. Desconheces-te. És irreconhecível perante ti mesmo, o vazio preenche o teu interior. Também eu sou poço de vazio, o que torna os nossos “vazios” tão distintos é que eu continuo à procura de algo que o aniquile, e tu? Tu segues imune às questões, imune às evidências do conhecimento de um antepassado que desconheces, e vais na vanguarda, um pé à frente do outro. Ignoras que atingir a meta não é o principal objectivo. Pois, de que adianta atingir a meta se o percurso que fizeste está completamente errado? De que adiantam os sorrisos se o que te faz rir e os que te fazem sorrir não te pode, não te podem fazer chorar? As lágrimas são o sangue da alma, são a sua essência. Tão poucas foram as vezes em que choraste: de que se alimenta a tua alma? Ainda serás possuidor de algum tipo de espírito ou tê-lo-ás já perdido nessa viagem que insistes em fazer, sempre com um pé à frente do outro?  &lt;br /&gt;Aniquilaste a essência da humanidade, e já somos tantos neste globo, tantas pessoas a vaguear: um pé à frente do outro, olhar colado na linha recta da rotina; tão poucos humanos neste mundo, os dois pés juntos no chão, olhar perdido entre muitas direcções observam e assimilam tudo, mãos que desenterram, purificam, mãos que dão à luz os abortos escondidos do passado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5976335859335637843-7836132718189832559?l=luna-of-mists.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/feeds/7836132718189832559/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5976335859335637843&amp;postID=7836132718189832559' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/7836132718189832559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5976335859335637843/posts/default/7836132718189832559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://luna-of-mists.blogspot.com/2009/09/vestigios.html' title='Vestígios'/><author><name>Joanaa Luna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07624081052064909773</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_VmqLD0Sbxc8/THemE7aW0zI/AAAAAAAAAI8/pecDbsmH5Yc/S220/lunaaaa.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
